Presidenciais: Afluência na cidade suíça de Lugano acima das eleições anteriores

A afluência às urnas na cidade suíça de Lugano para as eleições presidenciais deste ano em Portugal é a ser maior do que nos anteriores atos eleitorais, apesar da crónica abstenção elevada, sobretudo numa eleição que exige voto presencial.

©D.R.

Ao longo da manhã, o escritório consular de Portugal em Lugano, no cantão de Ticino, sul da Suíça, registou um movimento constante de emigrantes portugueses que aí se deslocaram para votar, constatou a reportagem da Lusa no local, tendo os responsáveis ​​da mesa de voto confirmado que a afluência está a superar as de eleições anteriores.

Num universo de 5.337 participantes inscritos em Lugano, já votaram entre sábado e hoje a meio da manhã mais de 200 participantes, o que representa “pelo menos mais de 50% de taxa de participação face aos anteriores atos eleitorais”, quando ainda faltam mais de oito horas para o encerramento das urnas, indicaram à Lusa o presidente da mesa de voto, Pedro Gonçalves, e o vice-presidente, Carlos Dias.

“Podemos-se dizer que estamos satisfeitos com esta participação, embora naturalmente que gostámos que fosse mais elevado, já que estamos a falar de cerca de 200 participantes num universo de mais de 5.000”, declarou Pedro Gonçalves.

Nos atos eleitorais anteriores para escolha do Presidente da República, desde que foi previsto o voto emigrante para as presidenciais, em 2001, a abstenção foi sempre superior a 90%, o que também é atribuído ao facto de, nestas eleições, os portugueses que residem no estrangeiro apenas podemem votar presencialmente, algo que demove muitos devido às grandes distâncias que em alguns casos têm de percorrer.

Os emigrantes ouvidos pela Lusa à saída do escritório consular de Lugano – um dos cinco locais onde os residentes portugueses na Suíça podem exercer o direito de voto, além da secção consular da embaixada em Berna, os consulados gerais de Genebra e Zurique e o escritório consular em Sion – desvalorizam, no entanto, a exigência de voto presencial.

“Acho que é que muitos preferem ficar na cama a dormir ou ir para a tasca beber um copo de vinho”, diz à Lusa José Rocha, um dos membros de uma família de quatro portugueses que viajam até Lugano desde Cadenazzo, localidade a cerca de 30 quilómetros de distância, e que, seguram, regressarão para uma mais do que provavelmente segunda volta.

Cristina Oliveira da Silva, que reside em Mendrizio, a aproximadamente 20 quilómetros de Lugano, considera por seu turno que “era preferível que fosse possível o voto por correspondência”, mas também não foi a exigência de voto presencial que a demoveu de voto hoje e, “se necessário, regressar para a segunda volta”.

Por seu lado, Jorge Machado, residente em Lugano, admite que tem votado com mais frequência desde que é possível fazê-lo no escritório consular desta cidade (o que acontece desde 2008), pois “antes era preciso ir até Zurique”, a mais de 200 quilómetros de distância, e também este emigrante disse que “obviamente” vai voltar a votar na segunda volta.

Nestas eleições presidenciais, que decorrem hoje em Portugal, os candidatos portugueses no estrangeiro podem votar ao longo do fim da semana, tendo as urnas sido abertas no sábado, e, no caso de existirem uma segunda volta, os candidatos emigrantes poderão votar a 07 e 08 de fevereiro.

O número de eleitores recenseados para as eleições de domingo é de 11.039.672, dos quais 1.777.019 votaram no estrangeiro.

Neste sufrágio votaram mais 226.956 portugueses a residir no estrangeiro do que em 2021.

Concorrem às presidenciais 11 candidatos, o que é um número recorde.

Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo CHEGA) e o músico Manuel João Vieira.

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