INEM redefiniu formação e escolas médicas podem deixar de estar envolvidas

O INEM redefiniu o modelo de formação, concentrando na Escola Nacional de Bombeiros a dos tripulantes e ambulância, e as escolas médicas deixam de estar envolvidas, o que desagrada aos técnicos de emergência pré-hospitalar.

©INEM

Segundo uma deliberação do Conselho Diretivo do INEM a que a Lusa teve acesso, o instituto deixará de integrar no seu portfólio a formação certificada em Tripulante de Ambulância de Transporte (TAT) e Tripulante de Ambulância de Socorro (TAS), suporte básico, imediato e avançado de vida (SBV, SIV e SAV), assim como Suporte Avançado de Vida Pediátrico (SAVP).

De acordo com o documento, datado do passado dia 14, o INEM passará a centrar-se na formação institucional obrigatória de introdução ao Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) e nos cursos de protocolos por nível de resposta.

O INEM confirmou à Lusa que as escolas médicas, ao contrário do anúncio feito pela ministra da Saúde, podem deixar de estar envolvidas, uma decisão que apanhará de surpresa o Conselho de Escolas Médicas, que tem agendada uma reunião para a próxima semana.

Este afastamento das escolas médicas não agrada ao Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), que em declarações à Lusa considerou que esta mudança era um “nivelar por baixo” da formação.

“Preocupa-nos pois desaparece na deliberação o quadro de competências TEPH, que é o nivelamento da formação por baixo, com base num curso de Tripulante de Ambulância de Socorro, que está completamente desajustado da realidade e ignora a melhor evidência internacional “, disse o presidente do STEPH.

Contactada pela Lusa, a Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar (SPEPH) lembrou que desde sempre defendeu que “Portugal precisa urgentemente de programas de educação e treino reconhecidos internacionalmente” e considera errado “criar modelos e ir reconhecer fora”.

Disse ter proposto, inclusive, à Comissão Técnica Independente (CTI) do INEM a extinção do curso de TAT, que considera ter os conteúdos pedagógicos “completamente ultrapassados”.

“Continuarem a inventar cursos em Portugal é um erro que terá sempre a oposição da sociedade portuguesa de emergência pré-hospitalar, porque há modelos de educação e treino que já estão reconhecidos e já estão prontos”, explicou Carlos Silva, presidente da sociedade, acrescentando: “há cursos que são dados em empresas privadas em Portugal – apenas aos enfermeiros e médicos – que, noutros países, são dados a toda a gente”.

Sobre a articulação com a Escola Nacional de Bombeiros (ENB), a Lusa questionou a instituição para saber se estava pronta para assumir esta concentração: “a escola vai ter de se ajustar naquilo que é a resposta em todo o território nacional”, disse o presidente, Lídio Lopes.

O responsável lembra que há muitos anos que a ENB está certificada pelo INEM para dar aos bombeiros formação de TAT e TAS, assim como a formação de formadores (TAT e TAS), explicando que esta alteração implica que toda esta formação fique concentrada na ENB.

Questionado pela Lusa sobre em que situação ficam os TEPH agora em formação, o INEM disse que haverá um regime transitório, “mantendo-se os cursos de integração de novos TEPH e enfermeiros nos moldes anteriores, sem prejuízo da sua certificação e futura integração no SIEM”.

Quanto à formação certificada de SBV, SIV, SAV e SAVP, o INEM respondeu que “os profissionais passam a ter de apresentar certificação válida obtida em entidades com cursos certificados”.

A informação refere ainda que, para o exercício de funções no SIEM, é obrigatória a frequência da “formação institucional do INEM”: Introdução ao SIEM e cursos de protocolos por nível de atuação (SBV, SIV ou SAV).

Quanto à certificação – até agora atribuída pelo INEM -, a deliberação refere que a acreditação e auditoria de entidades de formação será suspensa “até final do processo de revisão orgânica em curso”.

A recertificação dos profissionais terá de ocorrer a cada cinco anos e ocorrerá por uma de três vias: formação de recertificação, exame de avaliação ou reconhecimento do percurso profissional.

Últimas do País

A ministra da Saúde reconheceu esta terça-feira que a gestão das duas greves que afetaram o INEM em 2024 “podia ter sido mais bem feita” e que o instituto “não se terá apercebido” da possibilidade de decretar serviços mínimos.
Um programa de apoio médico e psicológico ajudou mais de 86.000 pessoas com doenças avançadas e as suas famílias nos últimos sete anos, revelou hoje a organização responsável pelo projeto.
A Infraestruturas de Portugal (IP) contabiliza 26 estradas no território nacional que continuam encerradas após a passagem do comboio de tempestades, realçando que já foi possível resolver 92% dos cortes registados.
O presidente do CHEGA, André Ventura, participou esta terça-feira numa concentração em frente ao Palácio de Belém, convocada pelo partido em protesto contra a visita do presidente do Brasil, Lula da Silva, e contra a insuficiência no combate à corrupção.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo esclareceu hoje que o homem baleado em Portalegre, na segunda-feira, continua internado no hospital local e não fugiu, ao contrário do que foi anteriormente divulgado por fonte hospitalar.
O presidente do INEM afirmou hoje que o instituto deve aos bombeiros cerca de 9,7 milhões de euros pelo transporte urgente de doentes referente a fevereiro, menos de metade do valor reivindicado pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).
O comandante da PSP de Vila Real chamou hoje a atenção para as instalações do comando distrital, há 20 anos num edifício provisório, e para o envelhecimento do efetivo, sinalizando um aumento da criminalidade denunciada em 2025.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu hoje aviso amarelo de precipitação, por vezes forte, para as ilhas do grupo Oriental dos Açores, mantendo os avisos de vento e agitação marítima para as nove ilhas.
O homem de 32 anos que ficou ferido após ser baleado à entrada de um hipermercado, em Portalegre, na segunda-feira, fugiu do hospital da cidade onde estava internado, disse hoje à agência Lusa fonte hospitalar.
A Entidade Reguladora da Saúde ordenou suspender a actividade em 19 estabelecimentos de cuidados de saúde em três anos, na maioria para ter profissionais identificados a realizar na área de procedimentos estéticos para os quais não estavam habilitados.