ANA vai recorrer da multa por incumprir plano do ruído de Lisboa

A ANA – Aeroportos de Portugal vai recorrer da multa que lhe foi aplicada pelo incumprimento do plano de ação do ruído do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, defendendo ter cumprido integralmente as obrigações previstas.

© D.R.

“Não é pelo valor, obviamente, o valor é completamente simbólico, até comparado com aquilo que é o nosso contributo voluntário para o isolamento dos edifícios”, afirmou à Lusa o presidente executivo da ANA, Thierry Ligonnière, argumentando que a empresa cumpriu “integralmente as obrigações previstas no plano”.

Segundo o CEO, o plano de ação do ruído envolve medidas que dependem da própria empresa e outras que requerem intervenção de entidades externas. “A ANA entende que cumpriu integralmente o plano de ação do ruído, mas há elementos que dependem da ação de outras entidades”, afirmou, justificando assim a contestação à multa.

Thierry Ligonnière sublinhou ainda que “é preciso relembrar que neste contexto não é a infraestrutura que está na origem do ruído, são os motores dos aviões”.

A Inspeção-Geral para a área do ambiente aplicou, no final de 2025, uma coima à ANA por incumprimento do plano contra o ruído, após auditoria da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), segundo disse no parlamento o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, José Brito e Silva.

Segundo o responsável, os limites legais da contra-ordenação situam-se entre 12 mil e 72 mil euros, estando em causa o incumprimento de três das 34 medidas do Plano de Acção de Ruído 2018-2023.

Em declarações à Lusa, o CEO explicou ainda que a ANA contribui voluntariamente para mitigar os impactos do ruído através do financiamento do isolamento de edifícios sensíveis. “O fundamental é alimentado, nomeadamente, por contributos dos passageiros. É um contributo de dois euros por passageiro [taxa de carbono]. E esse contributo é parcialmente utilizado agora para mitigar os impactos dos aviões”, detalhou.

No âmbito do Programa Menos Ruído, o Governo anunciou na quinta-feira a disponibilização de 10 milhões de euros para melhorar o isolamento acústico de habitações afetadas pelo tráfego aéreo em Almada, Lisboa, Loures e Vila Franca de Xira, financiados pelo Fundo Ambiental. A ANA vai acrescentar 2,5 milhões de euros ao programa, reforçando o investimento total.

Segundo a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, “em causa está um investimento de 10 milhões de euros, assegurado pelo Fundo Ambiental e a executar entre 2026 e 2027”, permitindo intervenções em “fachadas, janelas e caixilharias de edifícios habitacionais”.

O financiamento destina-se a habitações permanentes que ainda não tenham sido alvo de obras de melhoria de isolamento acústico, com prioridade para os edifícios localizados nas zonas mais expostas.

Últimas de Economia

O Banco Central Europeu (BCE) vai reunir-se esta quarta e quinta-feira e a expectativa dos analistas aponta para uma subida dos juros em 25 pontos base.
Os portugueses continuam a pagar cada vez mais para levar exatamente os mesmos produtos para casa. O cabaz alimentar voltou a aumentar e já custa quase mais 38% do que custava há pouco mais de quatro anos.
Os consumidores em Portugal contrataram em abril 881,1 milhões de euros em crédito ao consumo, numa subida homóloga acumulada de 13,6%, enquanto o número de novos contratos avançou para 146.018, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
As remunerações dos novos depósitos a prazo aumentaram em abril pelo terceiro mês consecutivo, para 1,44%, uma tendência em linha com a zona do euro, apesar de continuar abaixo do selecionado no mês homólogo, divulgou hoje o BdP.
A economia da zona euro teve um aumento homólogo de 0,3% até março, e o da União Europeia de 0,7%, divulgou o Eurostat, revendo em baixa a estimativa publicada em abril de, respetivamente, 0,8% e 1,0%.
As licenças para construção e reabilitação de edifícios habitacionais caíram 10,2% no primeiro trimestre, em termos homólogos, enquanto os novos fogos licenciados recuaram 4,7% e o consumo de cimento subiu 2,2%, segundo a AICCOPN.
O preço da gasolina deverá manter-se na próxima semana e o do gasóleo subir 4,5 cêntimos, segundo as previsões da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) cedidas à Lusa.
A taxa Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses em relação a quarta-feira, para máximos desde abril de 2025 no prazo mais curto.
A Comissão Europeia abriu hoje um processo a Portugal e a outros 11 Estados-membros por não terem estabelecido regras nacionais para sancionar quem viole um regulamento sobre combustíveis sustentáveis na indústria da aviação.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que o saldo orçamental português será nulo este ano, passando para um défice de 0,1% em 2027, segundo as previsões divulgadas hoje.