Desmantelada em Espanha maior rede de tráfico de cocaína com ‘narcolanchas’ do Atlântico

A polícia espanhola deteve 105 pessoas de uma organização que introduziu na Europa, no último ano, 57 toneladas de cocaína oriunda do Brasil e Colômbia e com estruturas que passavam por Portugal, anunciou esta segunda-feira o Governo de Espanha.

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Segundo um comunicado do Ministério da Administração Interna de Espanha, foi desmantelada neste operação “a maior rede de organizações de traficantes de cocaína que dominava o Atlântico e os rios espanhóis com o uso de ‘narcolanchas'” (embarcações de alta velocidade usadas para traficar droga).

A organização desmantelada tinha “uma estrutura que se estendia desde a Galiza, Portugal, Huelva, Cádiz, Málaga, Almería, Girona e Ceuta, passando também por Marrocos” e várias ilhas do arquipélago das Canárias, disse o delegado do Governo espanhol na região da Andaluzia (sul de Espanha), Pedro Fernández, numa conferência de imprensa em Sevilha.

A “Operação Sombra Negra” desenvolveu-se ao longo de mais de um ano, coordenada pela Polícia Nacional de Espanha, e em cooperação com organismos transeuropeus de combate ao crime e da luta contra o tráfico de droga, como a Europol ou o Centro de Análise e Operações Marítimas – Narcóticos (MAOC-N, na sigla em inglês).

Houve ainda cooperação da agência nacional brtiânica contra o crime (NCA), da agência norte-americana de controla de drogas (DEA) e da Direção-geral de Segurança Nacional de Marrocos (DGSN), assim como de “autoridades de Portugal, França, Colômbia e Cabo Verde”, segundo o Governo espanhol.

O delegado do Governo de Espanha destacou a logística e tecnologia “muito sofisticada” usada pela organização, que usava as designadas “narcolanchas” para movimentar a droga, introduzindo-a em território continental europeu através “das costas de Portugal e de Espanha”.

Pedro Fernández sublinhou também “a magnitude, dispersão territorial e capacidades de organização” do grupo desmantelado.

Na operação foram detidas 105 pessoas e feitas 49 buscas em “duas fases” (em junho e novembro do ano passado), nas ilhas Canárias e na Andaluzia.

Foi desmantelada “uma organização que se considera responsável por movimentar” 57 toneladas de cocaína “só no último ano”, oriunda, fundamentalmente, da Colômbia e do Brasil, afirmou.

Esta “operação Sombra Negra” foi levada a cabo dentro do Plano de Segurança do Campo de Gibraltar (no sul de Espanha), um dispositivo especial de luta contra o tráfico de droga e o crime organizado que o Governo espanhol tem no terreno desde 2018 e que se estende pelas províncias de Huelva, Cádiz, Málaga, Sevilha, Granada e Almeria.

Segundo o comunicado do Ministério da Administração Interna de Espanha, além das 105 detenções, foram apreendidas nesta operação 10,4 toneladas de cocaína, 70 veículos, 30 embarcações, seis imóveis, três armas de fogo, mais de 800 mil euros, mais de 150 telemóveis, assim como “numeroso material de última geração usado para as comunicações”e outros equipamentos “destinados ao trânsito marítimo” avaliados em cerca de 2,5 milhões de euros. Foram também bloqueadas contas bancárias.

“As altas velocidades das embarcações” e a utilização de “comunicações encriptadas, terminais satélites, telemóveis de difícil rastreio ou uma linguagem codificada para evitar a deteção pelas forças de segurança”, permitia à organização criminosa “operar durante as horas noturnas, dificultando os trabalhos policiais”, lê-se no comunicado divulgado hoje.

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