Mais de dois milhões de rendas não são declaradas ao Fisco

Milhões de rendas pagam-se todos os meses em Portugal, mas a maioria não existe para as finanças. Seis em cada dez inquilinos vivem na ilegalidade, num mercado onde milhões de euros circulam fora do controlo fiscal e da proteção legal.

©D.R.

Uma auditoria da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) revela que mais de dois milhões de rendas escapam à declaração fiscal, num universo estimado de 3,7 milhões de casas arrendadas. Na prática, seis em cada dez inquilinos vivem sem contrato registado, fora do radar do Estado e sem proteção legal.

De acordo com o Jornal de Notícias (JN), os dados oficiais mostram apenas uma parte do problema. Segundo o Ministério das Finanças, 1,4 milhões de contratos de arrendamento ou subarrendamento estão comunicados à Autoridade Tributária. Contudo, a IGF conclui que estes representam apenas 40% do mercado real, deixando cerca de 2,2 milhões de arrendamentos no circuito informal.

O Estado perde milhões em receita fiscal e os inquilinos ficam privados de deduções em IRS, benefícios fiscais e segurança jurídica, vivendo numa situação de instabilidade permanente. “É uma fuga ao Fisco generalizada”, declara Pedro Ventura, presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses, ao JN, sublinhando que a precariedade se tornou uma constante no arrendamento habitacional.

Especialistas defendem reforço da fiscalização e maior regulação do setor para travar a evasão fiscal e proteger os arrendatários, admitindo, ainda assim, que a elevada carga fiscal contribui para empurrar muitos contratos para a sombra. O retrato é claro: as casas estão arrendadas, as rendas são pagas — mas uma grande parte continua invisível para o Estado.

Últimas de Economia

O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste subiu 2,18 euros na última semana, fixando-se nos 253,47 euros.
O ‘stock’ de empréstimos para habitação atingiu em junho 116,8 mil milhões de euros, o equivalente a uma taxa de variação anual de 10,9%, a mais alta desde fevereiro de 2003, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Gasóleo sobe nove cêntimos e gasolina até 3,5 cêntimos por litro. Portugal continua entre os países europeus onde abastecer custa mais caro, apesar das promessas de alívio fiscal.
O preço por litro de gasóleo deverá aumentar 9 cêntimos e o da gasolina subir 3,5 cêntimos na próxima semana, caso a tendência atual se mantenha, de acordo com a estimativa da ANAREC cedida à Lusa.
A oferta de casas para arrendar em Portugal recuou 22% no segundo trimestre, face ao período homólogo, para 40.716 imóveis destinados ao arrendamento de longa duração, segundo dados do portal 'online' de imobiliário Idealista.
A dívida pública da zona euro agravou-se, no primeiro trimestre, para os 88,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e a da União Europeia (UE) para 82,9%, com Portugal a registar a quinta mais alta (91%), segundo o Eurostat.
O Estado continua sem conseguir recuperar milhares de milhões de euros em impostos. A dívida declarada incobrável atingiu um novo máximo de mais de 10 mil milhões de euros, sendo que apenas 20 mil devedores concentram quase dois terços desse valor.
Os encargos com o crédito à habitação continuam a aumentar. A taxa de juro implícita voltou a subir em junho e empurrou a prestação média para os 411 euros mensais. Nos novos contratos, as famílias já pagam, em média, 715 euros por mês, numa escalada que mantém a pressão sobre os orçamentos.
Os portugueses mostram-se favoráveis à redução da idade da reforma, mas traçam uma linha vermelha: a pensão não pode sofrer cortes. Um novo barómetro revela um apoio expressivo à proposta defendida pelo CHEGA, desde que o descanso antecipado não tenha custos no rendimento dos reformados.
O preço mediano de alojamentos familiares foi de 2.076 euros por metro quadrado (euro/m2) em 2025, representando um aumento de 16,8% face ao ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados.