Portugal é o 5.º país da UE com carga horária semanal mais elevada

Portugal é o quinto país da UE com a carga horária semanal mais elevada, numa média de 39,7 horas por semana, só ultrapassado pela Grécia, Polónia, Roménia e Bulgária, indica uma análise da Pordata.

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Enquanto a média no conjunto dos 27 países da União Europeia (UE) foi de 37 horas de trabalho por semana em 2025, Portugal registou uma média de 39,7 horas, “uma das mais elevadas da União Europeia”, sintetizada a Pordata num retrato estatístico publicado a propósito do Dia do Trabalhador, que hoje se assinala.

Portugal é apenas ultrapassado pela Grécia (uma média de 41 horas de trabalho semanal), Polónia (40 horas), Roménia (40 horas) e Bulgária (39,9 horas), segundo as estatísticas da Pordata.

Os dados complicados pela Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, baseiam-se nas estatísticas do Eurostat de 2025 e dizem respeito ao universo da população empregada dos 15 aos 64 anos.

A Pordata diz que “países com maior prevalência de trabalho a tempo parcial, como os Países Baixos, Dinamarca ou a Alemanha, registam cargas horárias médias significativamente mais baixas”.

Entre o leque dos cinco países com números mais baixos, a média é inferior a 36 horas. Nos Países Baixos está em 31,5 horas semanais, na Dinamarca nas 33,6 horas, na Alemanha nas 34,8, na Irlanda nas 35,7 e na Finlândia nas 35,8.

Dos cerca de 208 milhões de trabalhadores da União Europeia – 111 milhões de homens e 97 milhões de mulheres –, mais de cinco milhões estão no mercado laboral português.

Portugal é um dos países “com mais contratos temporários entre os jovens e com níveis salariais abaixo da média europeia, mas também com uma das mais elevadas taxas de emprego” entre os jovens dos 25 aos 29 anos, enquadrado na Pordata.

O estudo mostra ainda que o salário médio ajustado a tempo completo era, em 2024, de 2.068,2 euros em Portugal, o que compara com 3.317,3 euros na média dos 27 países da UE.

O salário mínimo nacional, que foi de 870 euros brutos em 2025 e subiu para 920 euros em 2026, correspondeu a 1.015 euros em termos mensalizados em 2025 (quando contabilizados 14 meses por ano, a soma dos 12 meses reguladores, mais o subsídio de férias e natal).

Na UE, quase 13% dos trabalhadores por conta de outrem (cerca de 23 milhões) contratos têm temporários”, enquanto em Portugal a percentagem é de 15,1%, o que o mete no grupo de cinco países com valores mais altos, tal como os Países Baixos, Polónia, França e Espanha.

“Entre os jovens, a precariedade é particularmente elevada”, refere a Pordata, dizendo que na UE “o trabalho temporário é a realidade de um em cada três, dos cerca de 36 milhões de jovens trabalhadores” e que Portugal “é o quarto país com mais trabalho precário entre os jovens”.

“Quase quatro em cada 10 trabalhadores, com menos de 30 anos, têm contratos temporários. Acima de Portugal estão a Polónia (39,1%), a França (39,2%) e os Países Baixos (51,1%)”, lê-se.

“Na UE, 19,2% dos trabalhadores estrangeiros tinham emprego temporário, em 2025, face a 12% entre os nacionais de cada país. Portugal está entre os países com maior diferença na percentagem de trabalho temporário, por nacionalidade, com quase 34% de estrangeiros e quase 14% de trabalhadores nacionais”, acrescenta a Pordata.

As estatísticas indicam que na UE, onde 18,8% dos trabalhadores exercem atividade a tempo parcial, “há uma grande variabilidade entre países” neste indicador, com Portugal a apresentar “uma das situações mais baixas (8,1%), em contraste com países como os Países Baixos, com 43,8%”.

“Na UE, o trabalho a tempo parcial é particularmente prevalente entre as mulheres (29,1% face a 9,8% entre os homens) – embora em Portugal essa diferença de género seja menos acentuada (10,4% vs 5,9%) – e entre os trabalhadores com menos de 25 anos (34,7%)”, dizem ainda.

Portugal “apresenta um valor alinhado com o padrão europeu” na proporção de trabalhadores que exercem atividade por conta própria. A média europeia está em 13,7% e em Portugal nos 14,7%.

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