Confederação dos Agricultores de Portugal já recebeu indicações de prejuízos da ordem dos 130 milhões

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) já recebeu indicações de prejuízos da ordem dos 130 milhões de euros, mas alerta que ainda não é possível “falar em números concretos”.

© D.R.

“Estamos, através das nossas associadas, a ajudar os agricultores a preencher todos os formulários que são necessários para poderem identificar os prejuízos. No entanto, há muitos agricultores que ainda não estão sequer nessa fase, estão na fase de tentar salvar o que pode ser salvo”, sublinhou Álvaro Mendonça e Moura, presidente da CAP à agência Lusa.

O dirigente falava no final numa reunião do Conselho Consultivo Regional, realizada esta quinta-feira, na Guarda. “Ainda estamos numa fase prévia. Não quero atirar números para o ar, o que seria irresponsável, porque ninguém neste momento sabe ainda a dimensão da catástrofe. Agora, o que lhe posso dizer é que só à CAP já chegaram indicações identificadas de prejuízos na ordem de 130 milhões de euros”, disse.

O presidente da direção da CAP fez questão de esclarecer que esse era o montante apurado durante esta manhã e reiterou que, “neste momento, não é possível falarmos em números concretos”.

“Agora, são números avassaladores e é preciso que todos tenhamos consciência da dimensão da catástrofe que se abateu sobre o país, infelizmente com várias mortes a lamentar. No caso da agricultura e da floresta, vamos ter que aguardar para ver nos próximos dias a dimensão desta catástrofe”. Álvaro Mendonça e Moura considerou que o setor agrícola das zonas de Leiria, Coimbra, Aveiro e do Oeste está a enfrentar “uma situação de enorme gravidade, há produções completamente destruídas e dezenas e dezenas de hectares de estufas arrasadas”.

“A CAP está a participar, hoje, numa reunião com o ministro da Agricultura, em Coimbra, onde, precisamente, se fará uma primeira abordagem aos prejuízos em matéria de floresta e que medidas vamos ter de tomar”, adiantou. O responsável acrescentou que é preciso pensar “em algo diferente daquilo que tem sido utilizado para situações de emergência, porque isto é uma verdadeira catástrofe”.

E alertou para a necessidade de se incluir a região de Odemira na declaração de calamidade, porque “toda essa zona também foi profundamente afetada e a produção, em muitos casos, está completamente perdida”.

“Eu espero que isso vá sendo corrigido, tal como as medidas já apresentadas, conforme a evolução da perceção da dimensão da catástrofe”, sublinhou. Álvaro Mendonça e Moura disse ser “fundamental” que os apoios “vão rapidamente” para o terreno e não escondeu que “a preocupação é, efetivamente, muito grande” com os agricultores das regiões mais afetadas.

Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas. O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Últimas de Economia

A Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses, nos dois prazos mais longos para novos máximos desde novembro e agosto de 2024, depois de o Banco Central Europeu ter subido as taxas diretoras na quinta-feira.
O CHEGA vai apresentar na próxima semana duas iniciativas legislativas destinadas a reduzir diretamente os encargos das famílias: IVA zero nos alimentos e uma descida do IVA aplicado aos combustíveis. O anúncio foi feito por André Ventura no Parlamento, com o partido a colocar o alívio fiscal sobre bens essenciais no centro da sua agenda política.
As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 5,2% em agosto face ao mesmo mês de 2025, menos 0,1 pontos percentuais do que em julho, tendo todas as regiões registado crescimentos homólogos, informou hoje o INE.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje subir, pela segunda vez este ano, as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,50%, repetindo o aumento acordado em junho.
O Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar um novo aumento nas taxas de juro na quinta-feira, em 25 pontos base e para o limite superior da zona neutra, estimam os analistas, depois da manutenção das taxas diretoras em julho.
O número de empresas constituídas até agosto desceu 3,0% face ao mesmo período do ano passado, enquanto as insolvências cresceram 1,3%, divulgou hoje a Informa D&B.
Os custos de construção nova terão aumentado 6,8% em julho, em termos homólogos, tendo os materiais subido 6,3% e a mão-de-obra 7,3%, de acordo com uma estimativa hoje divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística.
André Ventura anuncia que o CHEGA vai avançar judicialmente contra o Estado para exigir a devolução aos cidadãos dos valores cobrados indevidamente nos combustíveis. A iniciativa surge numa altura em que os preços voltam a disparar: o gasóleo deverá subir 12 cêntimos e a gasolina nove cêntimos por litro esta semana.
Autoridade Tributária já arrecadou mais 37% do que previa receber durante todo o ano de 2026 em juros de mora e compensatórios. Receita disparou 45% face ao mesmo período de 2025 e aproxima-se, em apenas sete meses, do total cobrado em todo o ano passado. Quem deve ao Estado paga uma taxa de 7,221%, mais de três vezes superior à taxa de referência do BCE.
O preço por litro do gasóleo deverá aumentar 15 cêntimos e o da gasolina avançar 12 cêntimos na próxima semana, caso a tendência atual se mantenha, segundo a estimativa do Automóvel Club de Portugal (ACP).