Tejo mantém alerta vermelho por subida de caudais com chuva a provocar aluimentos

O rio Tejo registou uma subida considerável durante a noite, mantendo-se o alerta vermelho e a vigilância de pessoas e bens, com a chuva persistente a provocar muitos aluimentos de terras, indicou a Proteção Civil do Médio Tejo.

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“O Tejo teve aqui uma subida, vamos dizer que exponencial, mas nada parecida com a do dia 05, em que atingiu os 8.600 metros cúbicos por segundo (m3/s). Em princípio, não irá atingir esses limites, mas estamos sempre condicionados pela pluviosidade e pelas albufeiras, tanto do Zêzere, em Castelo de Bode, como as albufeiras do Tejo em Portugal e as barragens espanholas”, disse hoje à Lusa o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, David Lobato, em ponto de situação às 13:55.

“Neste momento ainda não atingimos os 5.000 m3/s em Almourol, que é o limiar de alarme, estamos com 4.700 e, possivelmente, iremos atingir os 5.000 m3/s durante a tarde. Ficaremos condicionados pelas descargas das barragens espanholas, mas a gestão está a ser muito bem feita, pela APA e pela EDP Produção, e estamos a monitorizar a previsão das próximas horas”, declarou.

A estação de medição de Almourol registava às 13:00 de hoje um caudal total de 4.836,61 m³/s, incluindo as descargas das barragens a montante e o contributo de ribeiras e outros afluentes, um aumento de cerca de 1.500 m³/s relativamente a terça-feira.

Nos principais afluentes, os caudais eram de 1.018 m³/s em Castelo de Bode, 347 m³/s em Pracana e 2.862 m³/s em Fratel. Na terça-feira, as descargas somavam 3.517 m³/s em Almourol, evidenciando a subida registada nas últimas 24 horas.

O comandante explicou ainda que, apesar de a chuva persistente poder terminar na sexta-feira, os caudais elevados vão continuar a refletir-se durante o fim de semana.

“As pessoas que, por força da cheia ou por precaução, tiveram de sair das suas habitações foram reinstaladas em segurança e assim permanecerão. Possivelmente, no sábado faremos uma avaliação da manutenção da situação, mas para já os níveis vão manter-se elevados”, acrescentou.

David Lobato descreveu também o impacto nas estradas e terrenos, afirmando que “neste momento várias estradas nacionais e municipais estão cortadas, umas submersas e outras interditadas por aluimentos de terra”.

Os solos estão saturados e “registam-se muitos deslizamentos, afetando quase todos os municípios do Médio Tejo, embora os serviços municipais estejam a proceder rapidamente à limpeza dos territórios e das vias”, declarou.

O comandante alertou, ainda, que “a situação vai continuar enquanto a chuva persistir” e acrescentou que “algumas casas estão em ruínas, pelo que não se devem colocar veículos próximos dessas habitações”.

Além da questão das cheias, a situação no Médio Tejo varia por municípios.

Concelhos como Ourém, Ferreira do Zêzere e Tomar continuam a sofrer os efeitos da tempestade Kristin, com cortes de energia e comunicações.

A sul, outros municípios, como Mação, Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha, enfrentam as consequências diretas do aumento do caudal do Tejo, com inundações em zonas urbanas e aluimentos de terra.

De acordo com dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), verificou-se durante a noite um aumento dos caudais no rio Tejo, com algumas oscilações, mantendo-se, no entanto, valores elevados.

As previsões meteorológicas apontam para a manutenção de elevada precipitação, pelo que é expectável que os caudais se mantenham altos na bacia hidrográfica do Tejo, com risco de novas inundações urbanas.

O Plano Especial de Emergência para Cheias na bacia do Tejo mantém-se em alerta vermelho, enquanto dezenas de vias no distrito de Santarém continuam condicionadas ou submersas devido às cheias, à precipitação persistente e às consequências do mau tempo dos últimos dias.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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