Ventura arrasa Governo: “Estão a deixar portugueses entregues à sua sorte”

O presidente do CHEGA, André Ventura, questionou o Governo sobre a resposta do Estado a portugueses que se encontram em zonas de conflito, defendendo que o Executivo deve garantir proteção e eventual repatriamento dos cidadãos nacionais em territórios afetados pela guerra.

© Folha Nacional

“Há portugueses em zonas de conflito que receberam apenas a indicação para adquirirem bilhetes por conta própria. Ao menos tenham uma palavra de Estado para quem se encontra em territórios de guerra”, afirmou o presidente do CHEGA, André Ventura, ao questionar o Governo sobre a situação de cidadãos portugueses em regiões afetadas por conflitos internacionais.

O primeiro-ministro regressou ao Parlamento esta quarta-feira para um debate quinzenal marcado pelo conflito com o Irão e as condições de utilização pelos EUA da Base das Lajes.

O líder do CHEGA perguntou que medidas estão a ser tomadas pelo Executivo para assegurar o eventual repatriamento desses cidadãos e sublinhou que os portugueses em zonas de conflito devem poder contar com a proteção do Estado. “Eles não escolheram estar num conflito. São cidadãos que pagam impostos e que têm direito à proteção do seu país”, declarou, questionando que ações concretas estão em curso para garantir o seu regresso em segurança.

Durante a intervenção, Ventura referiu-se também à relação entre os principais partidos do sistema político português, defendendo que, ao longo das últimas décadas, PS e PSD têm alternado responsabilidades governativas. “Quando saem os do PSD entram os do PS, e quando saem os do PS entram os do PSD”, afirmou.

O presidente do CHEGA acrescentou ainda que o crescimento eleitoral do partido reflete a insatisfação de uma parte do eleitorado. “Se tudo estivesse bem, o CHEGA não teria sido criado nem seria hoje o segundo maior partido do país. Um terço do eleitorado não nos teria dado essa confiança”, disse.

Outro dos temas abordados foi o regime de ‘lay-off’. Ventura recordou que o Governo anunciou inicialmente que o apoio seria pago a 100%, referindo que posteriormente foram introduzidas alterações às condições do regime.

“O ‘lay-off’ ia ser pago a 100%. Foi isso que o Governo anunciou a 2 de fevereiro. Mas, quando começaram a fazer as contas com o ministro das Finanças, voltaram atrás”, afirmou, acrescentando que “palavra dada deve ser palavra honrada”.

O funcionamento do Serviço Nacional de Saúde foi igualmente referido durante o debate, em particular a reorganização das urgências hospitalares. Ventura mencionou o caso do Hospital do Barreiro, sublinhando que o serviço de obstetrícia daquela unidade regista cerca de 1.400 partos por ano.

“O próprio PSD disse, em 2022, que encerrar as urgências do Barreiro seria um erro. Agora querem fazer exatamente o contrário”, declarou.

O líder do segundo maior partido abordou ainda o acesso aos cuidados de saúde primários, referindo que cerca de 1,6 milhões de portugueses continuam sem médico de família.

“Se nem no mais básico conseguem garantir resposta, então temos um problema sério no funcionamento do Estado”, afirmou.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA disse hoje que o seu partido poderá viabilizar a criação da Prestação Social Única (PSU) na generalidade se o PSD aceitar limitar os apoios sociais para imigrantes, desafiando os sociais-democratas a aceitar esse "compromisso".
O CHEGA/Açores apresentou dois requerimentos no parlamento açoriano a questionar o Governo Regional sobre "a exclusão" dos agricultores açorianos de apoios extraordinários aprovados pela República e sobre "a falta de limpeza" no Porto dos Carneiros, na Lagoa.
A consultora Wise Healthcare Solutions (WiseHS), fundada por Eurico Castro Alves, ex-secretário de Estado da Saúde do PSD e antigo presidente do Infarmed, apresentou à sociedade portuguesa de canábis medicinal Sync Nature um empresário brasileiro condenado por tráfico de cocaína e apontado pelas autoridades brasileiras como elemento ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas da América Latina.
O CHEGA/Açores pediu esclarecimentos ao Governo açoriano sobre "a verdadeira dimensão" do consumo de álcool entre os jovens, alertando para "o aparecimento de casos cada vez mais precoces" de dependência alcoólica, foi anunciado.
Ventura referiu que o CHEGA deu margem ao PSD para mudar o pacote laboral, acreditando que o partido pudesse afastar-se “dos velhos vícios políticos”.
O CHEGA reclamou hoje uma "grande vitória" na revisão constitucional e considerou haver condições para alterar a Lei Fundamental, após o acordo com o PSD que estima a conclusão do processo até ao final da próxima sessão legislativa.
O CHEGA vai votar contra a autorização legislativa pedida pelo Governo para legislar por decreto sobre a criação da Prestação Social Única, anunciou o líder do partido, defendendo uma "discussão aprofundada" no parlamento sobre este tema.
O CHEGA recebeu ‘luz verde’ para levar a plenário o seu requerimento para ser reapreciado o decreto que cria a pena acessória de perda da nacionalidade, diploma chumbado pelo Tribunal Constitucional.
O líder do CHEGA acusa comunistas de hipocrisia política e diz que foi durante a geringonça que os portugueses sofreram “uma brutal perda de poder de compra”.
O socialista Miguel Coelho suspendeu hoje o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.