Bruxelas avisa que vai monitorar de perto impacto de desconto no ISP

A Comissão Europeia avisou hoje que vai “monitorizar de perto” o impacto orçamental do desconto que o Governo português vai dar no Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) do gasóleo, tomando nota da adoção de tal medida.

© DR

“No âmbito das recomendações específicas por país de 2025, o Conselho recomendou a Portugal que reduza a dependência global dos combustíveis fósseis, em particular no setor dos transportes, nomeadamente através da eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis. Por conseguinte, a implementação de medidas como a redução das taxas unitárias do ISP, bem como o seu impacto, será acompanhada de perto e avaliada no contexto do Semestre Europeu”, disse fonte oficial do executivo comunitário em resposta escrita enviada à agência Lusa.

De acordo com o porta-voz da instituição para a área da Economia, Balazs Ujvari, a Comissão Europeia “publicará a sua avaliação no pacote da primavera do Semestre Europeu de 2026”, que deverá ser divulgado a 03 de junho, após a atualização das previsões macroeconómicas ser publicada a 21 de maio.

Em ambos os momentos, a instituição vai avaliar as medidas adotadas para aliviar “o aumento dos preços da energia”, bem como as que estão em curso para “mitigar os danos causados por tempestades” do início do ano no país.

O responsável assinalou que Portugal “não tem de notificar a Comissão para avançar com a redução temporária e extraordinária das taxas unitárias do ISP”, mas garantiu que Bruxelas “acompanha regularmente os desenvolvimentos da política orçamental nos Estados-membros e toma nota deste tipo de anúncios”.

“Tal como todos os outros Estados-membros, Portugal terá de reportar no seu relatório anual de progresso de 2026 as medidas de política orçamental com impacto entre 2023 e 2026”, acrescentou.

Na segunda-feira, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, disse confiar que a Comissão Europeia “não tenha qualquer objeção” ao desconto no ISP do gasóleo, por ser “extraordinário e temporário” devido à guerra no Médio Oriente.

Antes, na passada sexta-feira, o Governo anunciou que iria avançar com uma redução temporária e extraordinária de 3,55 cêntimos por litro no ISP aplicável, no continente, ao gasóleo rodoviário.

O desconto agora anunciado surge após previsões do setor divulgadas também na sexta-feira, de que o aumento no preço do gasóleo deveria, esta semana, ser superior a 10 cêntimos por litro.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região.

O estreito de Ormuz, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, é atravessado por cerca de 20% do petróleo e por uma parte significativa do gás natural liquefeito comercializados por via marítima, segundo dados da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos e das Nações Unidas.

Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia – especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.

Últimas de Economia

O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizado pela Deco Proteste, atingiu esta semana um novo máximo, ultrapassando os 260 euros, após uma nova subida de 1,37 euros, divulgou hoje a organização.
O Ministério Público suspeita de uma articulação entre responsáveis da TAP, membros do Governo e um advogado para viabilizar o pagamento de 500 mil euros a Alexandra Reis, antiga administradora da companhia aérea, valor que considera não ser devido por lei.
A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação subiu em março pela primeira vez em mais de dois anos, para 3,088%, contra 3,079% no mês anterior e 3,735% em março de 2025, divulgou hoje o INE.
A economia portuguesa apresentou um excedente externo de 246 milhões de euros até fevereiro, uma descida de 488 milhões de euros em termos homólogos, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
A crise na habitação afeta as pessoas e também o crescimento da economia ao afastar jovens dos centros urbanos e travar a produtividade, alertou o diretor do Departamento da Europa do Fundo Monetário Internacional (FMI), em entrevista à Lusa.
A Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA) disse esta quinta-feira que, para já, não há impacto na operação, mas admite a possibilidade de cancelamentos de voos e preços mais altos se a crise energética persistir.
O gabinete estatístico europeu tinha estimado uma taxa de inflação de 2,5% para março, revendo-a hoje alta, puxada pela subida dos preços da energia, devido à crise causada pela guerra no Irão.
O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizado pela Deco PROteste, atingiu esta semana um novo máximo de 259,52 euros, mais 1,57 euros face à semana anterior, foi anunciado.
O Conselho das Finanças Públicas (CFP) estima que a inflação vai acelerar para 2,9% em 2026, nomeadamente devido ao aumento dos preços da energia, segundo as projeções divulgadas hoje.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a previsão para o saldo orçamental de Portugal, de nulo (0,0%) no relatório de outubro de 2025 para um défice de 0,1%, nas previsões divulgadas hoje.