Encosta do castelo de Torres Vedras vai ser alvo de sondagens geotécnicas

O Município de Torres Vedras vai efetuar sondagens geotécnicas para definir as obras a fazer na encosta do castelo, na sequência do aluimento de terras e de várias famílias terem ficado desalojadas devido ao mau tempo.

© D.R.

Após recomendação do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), a câmara municipal abriu um procedimento para contratar duas sondagens geotécnicas “com o objetivo de avaliar a profundidade do escorregamento” de terras, afirmou hoje o vice-presidente da autarquia, Diogo Guia, em conferência de imprensa.

As conclusões das sondagens vão ser determinantes o tipo de investimento que aí vai ser feito, o que pode passar por obras de reforço da muralha do castelo e de consolidação da encosta envolvente.

O plano de ação pode ainda passar pela criação de um sistema de drenagem das águas pluviais e pelo arranjo urbanístico da envolvente, que passe pela plantação de outras espécies de árvores que não ‘pinheiros-de-alepo’, que foram removidos do local por serem de grande porte e terem muito peso na copa.

O LNEC “recomendou um projeto de estabilidade da encosta que contemple toda a envolvente do castelo e um sistema de drenagem que promova o encaminhamento da água pluvial para os coletores”, disse Diogo Guia, citando o relatório.

A autarquia está a avaliar as quatro casas existentes na encosta do castelo para vir a adquiri-las, uma vez que é recomendável que deixem de ter uso permanente devido ao risco iminente, motivo pelo qual duas famílias ainda se encontram desalojadas.

“Faremos o esforço máximo para encontrar soluções do município que possam funcionar como alternativa”, garantiu o vice-presidente da câmara.

Numa primeira deslocação ao local, logo após os dias de mau tempo, o LNEC produziu um relatório em que confirmou que as medidas de interdição da área após os aluimentos de terra, de drenagem e de remoção de árvores de maior porte foram as adequadas e deverão manter-se.

Dessa observação do local, o LNEC concluiu ainda que “os escorregamentos não atingiram as fundações das muralhas”, tendo apenas afetado o muro circundante à encosta, apesar de existir risco de estabilidade do castelo e respetiva muralha.

Os problemas na encosta do castelo de Torres Vedras, agravados pelas diversas tempestades ocorridas em janeiro e fevereiro deste ano, estão identificados desde 2015, mas a sua resolução “foi constantemente adiada” pelo município.

A demolição das casas está apontada desde a década de 90 do século XX, motivo pelo qual a autarquia apenas autoriza obras de conservação e não de reconstrução ou de ampliação.

Em 2025, realizaram-se diversas sondagens no local e o município tinha intenções de avançar com obras de estabilização da encosta do castelo.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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