Farmácias da família do Presidente da República faturam milhões enquanto salários dos trabalhadores caem 17%

A empresa gerida pela mulher de António José Seguro faturou 27,5 milhões de euros em cinco anos, mas os trabalhadores perderam cerca de 17% do rendimento real por hora.

© Folha Nacional

A M. Freitas Unipessoal, empresa gerida por Margarida Maldonado Freitas, mulher do novo Presidente da República, António José Seguro, registou crescimento de faturação e lucros nos últimos anos. Ainda assim, os dados disponíveis indicam que os trabalhadores passaram a receber menos em termos reais.

Segundo o Página UM, entre 2020 e 2024 a sociedade, que explora duas farmácias nas Caldas da Rainha, faturou cerca de 27,5 milhões de euros e acumulou 2,22 milhões de euros de lucros líquidos, tendo pago aproximadamente 448 mil euros de IRC ao Estado.

Apesar dos resultados positivos, a evolução salarial não acompanhou o desempenho da empresa. De acordo com dados da Informação Empresarial Simplificada (IES), consultados pelo mesmo jornal, o valor médio pago por hora aos trabalhadores passou de 11,2 euros em 2020 para cerca de 10,8 euros em 2024.

Quando ajustado à inflação, este valor traduz-se numa queda real de cerca de 17% no rendimento por hora ao longo de cinco anos.

Na prática, para manter o mesmo poder de compra de 2020, os trabalhadores deveriam estar atualmente a receber cerca de 13,1 euros por hora, valor significativamente superior ao que é efetivamente pago, apurou o Página UM.

Durante o mesmo período, a empresa aumentou a faturação de 4,9 milhões para 5,9 milhões de euros e manteve resultados líquidos relevantes, tendo registado em 2024 um lucro superior a meio milhão de euros.

Já a remuneração da gerente (mulher do atual chefe de Estado) manteve-se relativamente estável ao longo destes anos, situando-se entre 95 mil e 100 mil euros anuais.

O número de trabalhadores também aumentou. Em 2024, a empresa passou de 18 para 22 funcionários, mas a massa salarial global registou apenas um crescimento moderado, o que contribuiu para a redução do salário médio.

Embora estes dados não apontem para qualquer irregularidade legal, a evolução salarial levanta questões sobre a distribuição da riqueza gerada pela empresa, sobretudo num momento em que António José Seguro acaba de assumir funções como Presidente da República, duas décadas depois de Jorge Sampaio ter sido o último chefe de Estado com origem política no Partido Socialista.

Últimas do País

O dono de um bar em Vila do Conde foi hoje condenado a uma pena suspensa de três anos e nove meses pelos crimes de lenocínio, auxilio à imigração ilegal e branqueamento de capitais.
A PSP deteve no último mês, na zona de Lisboa, quatro cidadãos brasileiros procurados pelas autoridades do Brasil por crimes de homicídio, tentativa de homicídio e roubo, que aguardam os processo de extradição, foi hoje divulgado.
Os episódios de calor extremo registados na última década agravaram a mortalidade em Portugal, em comparação com a década de 1990, sobretudo nas regiões do interior do país, com Trás-os-Montes a registar o maior aumento.
Os professores portugueses são os que têm mais conhecimentos pedagógicos, segundo um estudo da OCDE, o que lhes permite lidar melhor com os desafios da sala de aula e fazer com que os alunos aprendam melhor.
O líder do CHEGA, André Ventura, considerou hoje que o Governo está a pôr sobre o partido o ónus de um acordo sobre a reforma laboral no parlamento, apesar de não ter dado "nenhum passo" de aproximação.
Peso da imigração explica subida da natalidade em Portugal, com Lisboa a aproximar-se dos 50%.
Quase 330 doentes morreram, entre 2021 e 2025, à espera de cirurgia cardíaca disse hoje a secretária de Estado da Saúde Ana Povo, adiantando que a tutela vai publicar um despacho para a revisão das redes de referenciação.
O número de episódios de urgência nos hospitais baixou no inverno 2025/2026, mas aumentou o peso dos casos realmente urgentes (pulseira amarela) e o tempo médio de permanência na urgência voltou a subir após descer em 2024/2025.
Ataque em Oliveira do Bairro deixa duas pessoas em estado grave após vários disparos junto ao local de trabalho da vítima.
Um incêndio destruiu hoje duas casas de aprestos no porto da Ribeira Quente, no concelho açoriano da Povoação, e um homem teve de ser transportado para uma unidade de saúde, devido à inalação de fumos, revelou fonte dos bombeiros.