Gasolineiras sem gasóleo agrícola deixam agricultores sem trabalho ou a pagar mais caro

Vários agricultores do Vale da Vilariça, no concelho de Vila Flor, ficaram sem gasóleo agrícola para trabalhar, durante alguns dias, por ter esgotado nas gasolineiras da região, estando apenas, hoje, a ser reabastecidos.

© D.R.

Pedro Morgado é proprietário de um posto de combustível em Santa Comba da Vilariça, concelho de Vila Flor, e contou, à Lusa, que o gasóleo agrícola esgotou no passado dia 7, tendo sido reabastecido apenas este sábado.

Segundo o empresário e também agricultor, semanalmente recebe 18 mil litros de gasóleo agrícola, quantidade que vendeu em apenas um dia, secando a mangueira para os restantes dias.

“Como havia muitos postos em que não havia gasóleo agrícola, muita gente teve de parar”, afirmou.

A corrida “caótica” às bombas fez esgotar este combustível, deixando, principalmente, os pequenos agricultores desta região sem fonte de trabalho ou a procurar outras alternativas.

À Lusa, Pedro Morgado explicou que os agricultores tiveram receio que o combustível faltasse e, por isso, criaram reservas em casa, para que não deixassem de trabalhar. No entanto, nem todos tiveram a mesma sorte.

Wilson Alves foi um dos agricultores afetados. Tem seis hectares de citrinos, pessegueiros e hortícolas e durante a semana passada viu-se obrigado a colocar gasóleo rodoviário nos tratores para conseguir trabalhar.

“Tivemos de colocar gasóleo rodoviário porque não havia agrícola para conseguir trabalhar. Uma solução mais cara (…), caso contrário não trabalhávamos, ficávamos parados e agora é a época de maior trabalho, está a chegar a primavera e é preciso tratar das culturas da primavera/verão, sulfatar os pomares, pessegueiros”, adiantou à Lusa.

O gasóleo agrícola custa, no dia de hoje, mais de 1,4 euros no distrito de Bragança e nalguns postos de combustível chega mesmo a ultrapassar o 1,5 euros. “São valores fora do real e que depois não acompanha a economia perante a venda dos produtos”, criticou o agricultor.

Segundo Wilson Alves, este é o preço mais alto de que há memória, salientando que, para conseguir “trabalhar bem”, o valor do gasóleo agrícola deveria rondar os 0,8 euros.

Numa região onde se vive da agricultura, de acordo com Pedro Morgado, cerca de “40% do consumo de gasóleo é gasóleo agrícola”, “um consumo bastante elevado” deste tipo de combustível, o que evidencia a importância do setor.

Últimas de Economia

O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste subiu 2,18 euros na última semana, fixando-se nos 253,47 euros.
O ‘stock’ de empréstimos para habitação atingiu em junho 116,8 mil milhões de euros, o equivalente a uma taxa de variação anual de 10,9%, a mais alta desde fevereiro de 2003, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Gasóleo sobe nove cêntimos e gasolina até 3,5 cêntimos por litro. Portugal continua entre os países europeus onde abastecer custa mais caro, apesar das promessas de alívio fiscal.
O preço por litro de gasóleo deverá aumentar 9 cêntimos e o da gasolina subir 3,5 cêntimos na próxima semana, caso a tendência atual se mantenha, de acordo com a estimativa da ANAREC cedida à Lusa.
A oferta de casas para arrendar em Portugal recuou 22% no segundo trimestre, face ao período homólogo, para 40.716 imóveis destinados ao arrendamento de longa duração, segundo dados do portal 'online' de imobiliário Idealista.
A dívida pública da zona euro agravou-se, no primeiro trimestre, para os 88,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e a da União Europeia (UE) para 82,9%, com Portugal a registar a quinta mais alta (91%), segundo o Eurostat.
O Estado continua sem conseguir recuperar milhares de milhões de euros em impostos. A dívida declarada incobrável atingiu um novo máximo de mais de 10 mil milhões de euros, sendo que apenas 20 mil devedores concentram quase dois terços desse valor.
Os encargos com o crédito à habitação continuam a aumentar. A taxa de juro implícita voltou a subir em junho e empurrou a prestação média para os 411 euros mensais. Nos novos contratos, as famílias já pagam, em média, 715 euros por mês, numa escalada que mantém a pressão sobre os orçamentos.
Os portugueses mostram-se favoráveis à redução da idade da reforma, mas traçam uma linha vermelha: a pensão não pode sofrer cortes. Um novo barómetro revela um apoio expressivo à proposta defendida pelo CHEGA, desde que o descanso antecipado não tenha custos no rendimento dos reformados.
O preço mediano de alojamentos familiares foi de 2.076 euros por metro quadrado (euro/m2) em 2025, representando um aumento de 16,8% face ao ano anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados.