Três matas nacionais do litoral “particularmente afetadas” pelo mau tempo

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) revelou que três matas nacionais do litoral, nos concelhos da Marinha Grande e de Leiria, foram “particularmente afetadas” pelo mau tempo.

© D.R.

“As matas nacionais do Casal da Lebre [Marinha Grande], com 369 hectares, e a do Ravasco [Leiria], com 9,7 hectares, foram, à semelhança do que ocorreu na Mata Nacional de Leiria, particularmente afetadas, tendo os povoamentos aí existentes sido praticamente totalmente destruídos”, referiu o ICNF, numa resposta escrita enviada à agência Lusa.

A Mata Nacional de Leiria, conhecida como Pinhal de Leiria ou Pinhal do Rei, ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande e tem 11.021 hectares.

Em 20 de fevereiro, o ICNF revelou que a passagem da depressão Kristin, em 28 de janeiro, “levou a que uma parte substancial dos cerca de 1.200 hectares de povoamentos florestais adultos” desta mata “tenham sido afetados em mais de 90%”.

Segundo o ICNF, nas restantes matas nacionais do litoral (Urso, Quiaios e Leirosa), “os impactos registaram-se de forma mais dispersa e com menor intensidade”, salientando, contudo, que, na Mata Nacional de Pedrógão, Leiria, “a área residual de povoamento de pinheiro-bravo que havia escapado ao incêndio de 2017 sofreu agora danos mais severos”.

Já na Mata Nacional do Prazo de Santa Marinha, na Figueira da Foz, “o derrube de árvores assumiu alguma relevância, evidenciando também efeitos significativos, ainda que localizados”.

Segundo o ICNF, “o maior impacto ocorreu, à semelhança de tempestades anteriores, no património florestal”, com “a quebra e arranque de numerosas árvores”, registando-se também danos em infraestruturas e viaturas.

Sobre os problemas que enfrenta agora nestes espaços, o ICNF adiantou que “incidem no património florestal, cujo valor ecológico e ambiental é elevado e cuja recuperação exige intervenção técnica cuidada a nível da gestão florestal e no âmbito da fitossanidade”, pelo que é necessário “investimento estruturado e contínuo” para a sua recuperação.

Quanto aos trabalhos a desenvolver, o instituto sustentou que a resposta “está estruturada de forma faseada, sendo o médio prazo o horizonte onde se concentrará a maior parte das intervenções operacionais”.

“No curto prazo, decorrem ações imediatas de avaliação de danos, mitigação de riscos e intervenções pontuais em áreas críticas, nomeadamente para garantir a segurança de pessoas e a acessibilidade aos espaços florestais”, justificou.

Reconhecendo que, “no médio prazo, que corresponde ao período mais exigente do ponto de vista operacional, a intervenção centrar-se-á na remoção faseada do material lenhoso resultante do evento extremo”, o ICNF referiu que “estes trabalhos serão realizados em função de prioridades definidas no terreno” e com base em “critérios de segurança, acessibilidade e redução do risco, em particular o risco de incêndio rural”.

“Paralelamente, será dada continuidade à beneficiação da rede de acessos e infraestruturas florestais, condição essencial para assegurar a eficácia das operações de gestão”, adiantou o ICNF, considerando que “este período será também determinante para a estabilização das áreas afetadas e para o acompanhamento dos processos de regeneração natural”.

No longo prazo, a atuação do ICNF vai ser “orientada para a recuperação estrutural e funcional dos ecossistemas florestais, promovendo a sua resiliência a fenómenos extremos”.

Sobre o investimento necessário nestas matas após o mau tempo, o instituto observou que, como “a maioria das intervenções mais significativas ocorrerá no médio prazo e que a avaliação detalhada dos danos ainda está em curso, os custos associados dependem diretamente da evolução dos trabalhos no terreno, das condições de execução e das opções de gestão a implementar”.

“De forma geral, os investimentos estarão sobretudo associados à recuperação e beneficiação de infraestruturas e às ações de estabilização e regeneração das áreas afetadas”.

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