Comprar casa em Lisboa já exige sete anos e meio de salário médio, indica estudo

Comprar casa em Portugal exige hoje muito mais do que trabalhar: exige rendimentos que a maioria já não tem. Um novo estudo da CBRE mostra que o fosso entre salários e preço da habitação continua a aumentar e está a afastar milhares de famílias do mercado.

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Comprar casa em Portugal está cada vez mais longe do alcance de quem trabalha. A conclusão é de um novo estudo da consultora imobiliária CBRE, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, e que volta a expor o crescente desfasamento entre os rendimentos das famílias e o preço da habitação no País.

Em 2024, o salário médio líquido em Portugal fixou-se nos 1266 euros mensais, enquanto a avaliação bancária mediana da habitação subiu para 1721 euros por metro quadrado. A diferença entre rendimento e custo da casa continua a agravar-se, tornando o acesso à habitação cada vez mais difícil para a generalidade das famílias.

O cenário é ainda mais exigente em Lisboa. Na capital, segundo a mesma fonte, o valor médio de avaliação ronda os 2523 euros por metro quadrado, o que significa que são necessários cerca de 90 meses de salário médio para adquirir apenas 50 metros quadrados. Em 2011, bastavam 61 meses.

A escassez de oferta continua a agravar o desequilíbrio. De acordo com o estudo, foram construídas apenas 27 mil novas habitações em 2024, num ano em que se registaram 170 mil transações. A distância entre o número de casas construídas e o volume de vendas continua a pressionar o mercado e a alimentar a subida dos preços.

Apesar disso, Portugal continua a ter um dos maiores parques habitacionais por agregado familiar do mundo: existem 5,97 milhões de alojamentos para 4,1 milhões de famílias. Ainda assim, uma parte significativa desse stock permanece fora do mercado. Cerca de 31% das habitações não são utilizadas como residência principal, valor que ronda os 20% nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

Para a CBRE, o problema não se resume à falta de construção. A consultora aponta também bloqueios estruturais no mercado e defende uma reforma profunda do arrendamento, com maior estabilidade fiscal, simplificação dos processos de licenciamento, redução da burocracia e maior confiança para proprietários e investidores.

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