Ex-vice-presidente de Gaia (PS) condenado a oito anos e meio de prisão no âmbito da Operação Babel

O ex-vice-presidente da Câmara de Gaia Patrocínio Azevedo (PS) foi, esta sexta-feira, condenado a oito anos e meio de prisão no âmbito da Operação Babel, relacionada com a viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos naquele concelho.

© Facebook de Patrocínio Azevedo

Na leitura do acórdão, no Tribunal de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, a presidente do coletivo de juízes disse que o tribunal ficou “com a convicção segura” do envolvimento nos factos dos arguidos Patrocínio Azevedo, do empresário do ramo imobiliário Paulo Malafaia, do fundador do grupo Fortera, Elad Dror, e do advogado João Lopes, este no papel de intermediário entre o ex-autarca e os empresários.

Segundo a magistrada, Patrocínio Azevedo, enquanto vice-presidente do município, assumiu um “claro tratamento de favor e influência” em prol dos interesses particulares de Paulo Malafaia, de Elad Dror e de sociedades promotoras arguidas, em empreendimentos urbanísticos a desenvolver em Gaia, sobretudo o projeto Skyline/Centro Cultural e de Congressos e o projeto imobiliário Riverside, a troco de bens, como relógios, e compartidas financeiras, e em prejuízo de interesses públicos.

O antigo autarca de Gaia foi condenado por vários crimes económicos, incluindo corrupção e branqueamento, à pena única de oito anos e seis meses de prisão, ficando ainda proibido de exercer cargos públicos durante oito anos.

O tribunal deu como provado que Patrocínio Azevedo recebeu dos empresários arguidos, entre 2020 e 2021, “três entregas de quantias de dinheiro”, duas das quais de, pelo menos, 25 mil euros cada, e uma terceira que “não foi possível apurar o valor”. Neste período, o ex-vice de Gaia recebeu também como contrapartidas quatro relógios.

Para o coletivo de juízes, as três entregas de dinheiro, em três ocasiões distintas “são vários atos de uma atuação criminosa” dos empresários, visando “retribuir os favores” de Patrocínio Azevedo ao agir e decidir em função do universo empresarial de Paulo Malafaia e de Elad Dror.

O advogado João Lopes, que servia de “veio de transmissão” dos empresários junto do “decisor político” (Patrocínio Azevedo) foi condenado à pena única de sete anos e nove meses de prisão.

O empresário do ramo imobiliário Paulo Malafaia foi condenado a sete anos de cadeia.

Ao fundador do grupo Fortera, Elad Dror, foi aplicada a pena única de seis anos de prisão.

Todos os arguidos foram condenados por vários crimes económicos, incluindo corrupção.

O coletivo de juízes absolveu a antiga diretora municipal de Urbanismo e Ambiente da Câmara de Gaia Luísa Aparício e o economista Jordi Busquets, considerando que ambos não tiveram qualquer atuação criminosa neste processo.

O tribunal considerou que Patrocínio Azevedo, no projeto Skyline/Centro Cultural e de Congressos e o projeto imobiliário Riverside, “tudo fez” em prol dos interesses privados e para favorecer as sociedades promotoras arguidas, no sentido de concretizar os empreendimentos.

A juíza presidente sublinhou que a partir de determinado momento, os empresários arguidos “deixaram de pedir e passaram a exigir”, acrescentando que a atuação de Patrocínio Azevedo, enquanto vice-presidente da Câmara de Gaia, estava “condicionada e capturada por aqueles particulares”, que sempre tiveram um “tratamento privilegiado e diferenciado”.

No final da leitura do acórdão, os advogados solicitaram mais tempo para interpor recursos, tendo o tribunal dado mais 30 dias aos 60 legalmente previstos.

Em causa neste processo esteve a suposta viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanístico em Vila Nova de Gaia em favor de promotores associados a projetos de elevada densidade e magnitude, pelo menos até 2022, estando em causa interesses imobiliários na ordem dos 300 milhões de euros, mediante a oferta e aceitação de contrapartidas de cariz pecuniário.

Últimas do País

Dois homens, residentes em Vila Nova de Gaia, foram detidos por furto, extorsão, falsificação de documentos e fraude fiscal durante uma investigação por tráfico e viciação de automóveis, indicou a Polícia Judiciária (PJ).
A PSP deteve na terça-feira dois homens, de 24 e 27 anos, na freguesia de Campo de Ourique, em Lisboa, por tráfico de estupefacientes, apreendendo mais de 23 quilos de heroína e um quilo de cocaína, além de munições.
Um homem de 68 anos foi detido pela GNR por suspeita de incêndio florestal em Alter do Chão, no distrito de Portalegre, após ter utilizado o fogo para realizar uma queimada extensiva que se descontrolou.
Rui Armindo Freitas é acionista da Media Capital, dona da TVI e da CNN Portugal, e admite também ter ações na empresa proprietária do ECO. O governante integra o ministério responsável pela tutela da comunicação social.
O diretor de gestão de risco da Proteção Civil alertou hoje os portugueses para a importância de estarem preparados para agir e adotar comportamentos de autoproteção em caso de sismo, lembrando que Portugal está numa zona de “particular vulnerabilidade”.
Um em cada quatro adolescentes não realizou qualquer tipo de atividade física em 2025, uma tendência de inatividade a nível global que se mantém sem alterações desde 2010, estimou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A magistrada Ana de Campos determinou o cumprimento da chamada ‘lei da burca’ nos protestos pela habitação. A legislação prevê multas até 3000 euros para quem ocultar o rosto em espaços públicos.
Um professor ficou ferido esta quarta-feira após a explosão de um engenho pirotécnico no interior de uma sala de aula da Escola Secundária da Baixa da Banheira, no Vale da Amoreira. O artefacto terá sido lançado por alunos do 8.º ano, provocando a quebra de um vidro e ferimentos no docente.
Os balneários da Escola Secundária de Gondomar estão encerrados desde terça-feira, após a deteção de 'Legionella spp', segundo informou a escola à Lusa. As aulas decorrem normalmente, com adaptações nas aulas de Educação Física.
Cerca de 56 mil alunos não têm asseguradas todas as aulas no ano letivo de 2026/2027. A escassez de docentes continua a afetar as escolas portuguesas, apesar das medidas anunciadas pelo Governo para combater o problema.