Peso do supermercado nas compras aumentou 486 euros desde 2019

O peso das compras de supermercado no orçamento familiar dos portugueses aumentou em 486 euros, entre 2019 e 2025, com os consumidores a adotarem maior prudência nas compras, segundo um inquérito divulgado hoje pela Centromarca.

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“As famílias portuguesas não se mostram confiantes na economia para os próximos 12 meses e estão a adaptar os seus hábitos de consumo”, destacou, citando dados de um painel da Worldpanel by Numerator, com uma amostra de 4.000 lares participantes, representativos de Portugal Continental, que declararam as suas compras no período em análise, com dados até ao dia 22 de março de 2026.

Assim, os dados recolhidos pela Worldpanel by Numerator mostram a evolução do peso das compras de supermercado no orçamento familiar, com o valor a passar de cerca de 1.707 euros (2019) para 2.193 euros (2025), um aumento de 486 euros.

“Olhando para o efeito da inflação acumulada, o valor pode chegar a 2.625 euros (+918 euros face a 2019)”, destacou, apontando que “comparado com a evolução do salário bruto, que foi de 418 euros neste período, percebe-se por que é que a pressão se mantém: a despesa cresce mais depressa do que o rendimento disponível”.

De acordo com o comunicado, “esta pressão no orçamento levou a compras mais pequenas e mais frequentes, e isso infere também com os formatos de loja escolhidos, mas não só”, sendo que, há, ainda assim, “uma implicação muito concreta (e positiva) para as marcas”, visto que, de acordo com a Centromarca, “quando a necessidade é imediata, a escolha tende a ser muito mais orientada pela preferência prioritária do consumidor”.

De acordo com a entidade, “mesmo num cenário de desaceleração da inflação, que está já a inverter-se, e melhoria de alguns indicadores macroeconómicos, a perceção de dificuldade económica mantém-se, assim como a prudência no consumo”.

A associação destacou que a maior fatia do orçamento das famílias tem como destino “despesas essenciais, como habitação, energia, transportes e alimentação”, sendo que, “no caso da alimentação e bebidas não alcoólicas, estas têm um peso especialmente relevante quando comparamos Portugal com outros países da zona euro”.

Assim, explicou, “quando os preços sobem nestas categorias, o impacto sente-se de forma imediata na carteira”.

Por outro lado, referiu, no setor de ‘Fast-Moving Consumer Goods’ há “uma mudança estrutural no comportamento das famílias”.

“À medida que os preços aumentam, as pessoas passam a ir mais vezes às compras, mas com cestas mais pequenas, como forma de se adaptarem a cenários voláteis e adversos”, disse a entidade, explicando que os consumidores “fazem mais compras rápidas e focadas e descartam o armazenamento de itens em casa”.

Assim, indicou, as categorias mais essenciais, mantêm maior relevância, com os dados a mostrarem que “a marca dos produtos funciona como âncora de confiança quando a compra é rápida e pouco planeada”.

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