O ato cometido pelo arguido, que ultrapassa “toda a dimensão humanamente compreensível”, foi “longa e cuidadosamente preparado”, afirmou o procurador Matthias Böttcher após sete meses de julgamento.
O Ministério Público (MP) pediu uma pena de prisão perpétua, acompanhada de um período mínimo de cumprimento e do reconhecimento da gravidade especial do crime, o que dificulta a libertação condicional antes de 15 anos.
Refugiado com um percurso atípico, Taleb Jawad al-Abdulmohsen, um psiquiatra na casa dos cinquenta anos, reconheceu durante o julgamento ter planeado um ataque e conduzido o carro alugado.
Negou, no entanto, ter atropelado intencionalmente pessoas, entre outras declarações confusas e impregnadas de teorias da conspiração.
Segundo o procurador, o motivo residia num conflito entre o arguido e uma associação de refugiados de Colónia, contra a qual ele tinha perdido um processo civil.
O arguido procurava “vingar-se” dessa derrota e de uma série de queixas criminais que não tiveram seguimento, e queria “continuar a atrair a atenção do público e dos meios de comunicação social”, afirmou o representante do MP.
As alegações das partes civis e da defesa deverão realizar-se nas próximas audiências e deverão prolongar-se por vários dias. A data do veredicto ainda não foi fixada.
O ataque com um carro em plena época festiva acendeu o debate em torno da imigração e da segurança, numa altura em que a Alemanha se encontrava em plena campanha para as eleições legislativas e após vários ataques com faca, alguns dos quais cometidos por estrangeiros.
O julgamento, realizado na própria cidade de Magdeburgo, exigiu a construção de uma imensa sala de audiências, uma estrutura provisória leve com capacidade para centenas de pessoas.
Em 20 de dezembro de 2024, Taleb J., que chegou à Alemanha em 2006, atropelou com a sua viatura as pessoas que se encontravam no mercado de Natal, tendo sido detido no local do ataque.