Os Assistentes Operacionais: a coluna invisível da Escola Pública

Durante anos, o debate sobre a Educação em Portugal concentrou-se, quase exclusivamente, nos professores, nos currículos, nos exames e nos resultados académicos. Contudo, existe uma classe profissional sem a qual nenhuma escola conseguiria funcionar um único dia: os Assistentes Operacionais.

São eles que abrem os portões antes do amanhecer, asseguram a vigilância dos recreios, acompanham alunos com necessidades específicas, prestam primeiros socorros, garantem a higiene dos espaços, apoiam refeições, controlam entradas e saídas, ajudam docentes, tranquilizam encarregados de educação e, muitas vezes, substituem a ausência de apoio familiar que algumas crianças enfrentam diariamente.

Apesar da importância evidente das suas funções, os Assistentes Operacionais continuam a ser uma das classes mais desvalorizadas do sistema educativo português.

Uma função essencial, mas sistematicamente esquecida

O funcionamento de uma escola não depende apenas da componente pedagógica. A segurança, a organização e o equilíbrio do ambiente escolar exigem profissionais preparados para lidar com realidades cada vez mais complexas.

Hoje, os Assistentes Operacionais enfrentam:

Crescente indisciplina escolar;

Aumento de situações de violência e conflito;

Necessidade de acompanhamento de alunos com necessidades educativas especiais;

Carência de recursos humanos;

Sobrecarga de funções;

Envelhecimento da classe profissional;

Falta de reconhecimento institucional e social.

Em muitas escolas, um número reduzido de Assistentes Operacionais é obrigado a assegurar centenas de alunos em simultâneo. Há profissionais que percorrem quilómetros por dia dentro dos estabelecimentos de ensino, acumulando tarefas físicas e emocionalmente desgastantes.

Ainda assim, raramente são ouvidos quando se discutem políticas educativas.

A falsa ideia de que “apenas limpam”

Existe ainda um preconceito profundamente injusto em relação a esta profissão. Muitos continuam a reduzir o trabalho dos Assistentes Operacionais à limpeza e manutenção dos espaços. Essa visão é não apenas limitada, mas ofensiva.

Os Assistentes Operacionais desempenham funções de acompanhamento humano e social indispensáveis.

São frequentemente os primeiros adultos a identificar sinais de:

Maus-tratos;

Bullying;

Carência alimentar;

Problemas emocionais;

Situações de negligência familiar;

Consumos de risco;

Alterações comportamentais.

Muitos alunos criam uma relação de confiança com estes profissionais, precisamente porque os encontram diariamente em contextos menos formais do que a sala de aula.

Na prática, os Assistentes Operacionais são agentes educativos. A sua influência no ambiente escolar é real e decisiva.

Baixos salários e ausência de valorização

É incompreensível que uma profissão com tamanha responsabilidade continue associada a salários baixos, carreiras pouco atrativas e reduzidas perspetivas de progressão.

Portugal enfrenta hoje dificuldades crescentes em recrutar novos Assistentes Operacionais. Muitos concursos ficam desertos porque os vencimentos não compensam o desgaste físico e psicológico exigido.

A consequência está à vista:

Escolas com falta crónica de pessoal;

Profissionais exaustos;

Maior risco para alunos;

Diminuição da capacidade de acompanhamento;

Sobrecarga das equipas existentes.

Nenhuma reforma educativa será verdadeiramente eficaz enquanto o Estado continuar a ignorar os profissionais que sustentam diariamente o funcionamento básico das escolas.

Uma questão de dignidade e justiça

Defender os Assistentes Operacionais não é apenas uma reivindicação laboral. É uma questão de justiça social e de respeito institucional.

Uma escola segura, organizada e humanizada depende diretamente destes trabalhadores.

Valorizar esta classe significa:

Melhorar condições salariais;

Reforçar o número de profissionais nas escolas;

Garantir formação contínua;

Criar carreiras mais dignas;

Reconhecer oficialmente a sua função educativa;

Promover maior autoridade e proteção no exercício das suas funções.

Não se pode exigir qualidade no ensino ignorando quem garante diariamente as condições mínimas para que esse ensino aconteça.

O respeito começa pelo reconhecimento de uma classe profissional que tem sido esquecida pelos poderes instalados. Com o o CHEGA, isso vai mudar!

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