“Os trabalhadores não podem continuar a pagar a conta da troika”, defende Ventura

André Ventura levou ao debate quinzenal 47 páginas de propostas para alterar a reforma laboral, defendendo o regresso dos 25 dias de férias, a valorização de quem trabalha por turnos e uma revisão das regras de acesso aos apoios sociais.

© Folha Nacional

O presidente do CHEGA, André Ventura, voltou a criticar a proposta de reforma laboral, argumentando que o diploma não responde adequadamente às preocupações dos trabalhadores. Entre as medidas defendidas pelo CHEGA encontram-se o regresso dos 25 dias de férias anuais, a valorização do trabalho por turnos, o reforço de direitos relacionados com a parentalidade e a descida da idade da reforma.

Durante o debate quinzenal que aconteceu esta quarta-feira com o primeiro-ministro, Ventura questionou a disponibilidade do Governo para discutir temas como o fim das subvenções vitalícias atribuídas a antigos titulares de cargos políticos e a revisão das regras de acesso a determinadas prestações sociais.

O líder da oposição sustentou que os trabalhadores continuam a suportar algumas das medidas adotadas durante o período da troika, referindo-se à redução dos dias de férias. Nesse contexto, afirmou que “se acabaram as restrições da troika para aumentar os salários dos políticos, também devem acabar as restrições que continuam a penalizar os trabalhadores”.

Ventura defendeu ainda que o Estado deve reconhecer o papel desempenhado pelos avós no apoio às famílias, propondo mecanismos que permitam conciliar melhor a vida profissional e familiar. O presidente do segundo maior partido insistiu igualmente na necessidade de reforçar os direitos das mães trabalhadoras, considerando que nenhuma mulher deve ser penalizada por optar pela maternidade.

No domínio das prestações sociais, o líder do CHEGA reiterou que o acesso a determinados apoios deve estar associado a um período prévio de contribuições para a Segurança Social. Segundo Ventura, o atual modelo necessita de alterações para garantir maior equilíbrio entre direitos e deveres contributivos.

Ventura recorreu ainda ao exemplo das comunidades portuguesas emigrantes, afirmando que os portugueses que partiram para o estrangeiro “foram trabalhar e construir uma vida melhor”, defendendo que a política social deve privilegiar quem contribui para o sistema.

O presidente do CHEGA contrapôs as propostas apresentadas pelo seu partido ao trabalho desenvolvido pela oposição socialista. “O CHEGA apresentou 47 páginas de propostas de alteração à lei laboral. O PS apresentou zero”, afirmou.

Ventura dirigiu críticas a José Luís Carneiro e ao Partido Socialista, acusando os socialistas de terem tido oportunidade para promover alterações nestas matérias durante os anos em que estiveram no Governo.

O líder da oposição defendeu ainda que o Estado deve criar condições para quem investe, cria emprego e gera riqueza, argumentando que o crescimento económico depende também da capacidade de atrair investimento e valorizar o trabalho.

Num outro momento da intervenção, André Ventura referiu o convite feito pela Federação Portuguesa de Futebol a deputados para assistirem aos jogos da Seleção Nacional nos Estados Unidos, sugerindo que esses bilhetes pudessem ser atribuídos a pais de crianças em tratamento no IPO ou a antigos combatentes que nunca tiveram oportunidade de assistir a um jogo da Seleção.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA critica o aumento dos encargos fiscais, incluindo o IMI, e acusa o Executivo de não romper com as políticas socialistas, defendendo medidas que permitam aliviar os rendimentos das famílias.
André Ventura considera que o Orçamento do Estado para 2027 não responde ao aumento dos custos da habitação, da alimentação e dos combustíveis. "Este é um Orçamento do Estado em que o Governo não consegue reconhecer o momento de dificuldade que os portugueses vivem", afirmou o líder do CHEGA.
O antigo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues (PS), defendeu um bloco central entre PS e PSD para travar o CHEGA. Partido liderado por André Ventura poderá mesmo vencer as próximas eleições.
Isaltino Morais admite que André Ventura possa chegar a primeiro-ministro e aponta uma aproximação entre PS e PSD como forma de travar esse cenário. Em entrevista à RTP, o presidente da Câmara de Oeiras defendeu uma convergência entre os dois partidos para impedir a chegada do líder do CHEGA ao Governo.
PSD, Iniciativa Liberal e PS viabilizaram alterações à lei do Tribunal de Contas que poderão afastar a aplicação de sanções financeiras ao ministro da Administração Interna, Luís Neves. Em causa estão despesas de 14.300 euros com viagens ao Brasil, realizadas em 2023, quando dirigia a Polícia Judiciária.
O presidente do CHEGA responsabiliza PS e PSD pela crise da habitação e acusa José Luís Carneiro de dar luz verde a um Orçamento do Estado sem conhecer o seu conteúdo. André Ventura defende um pacote de emergência com benefícios fiscais, apoios às rendas e menos burocracia.
Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.