França com pelo menos mais 2.025 mortes do que o habitual devido ao calor

O número de mortes aumentou quase 30% em França e 62% só na região de Paris durante a semana de 22 de junho, o pico da onda de calor que assolou o país, anunciou hoje a agência Santé publique France.

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A agência de saúde pública indicou, num novo balanço, “um aumento de 29,1%, correspondente a 2.025 mortes adicionais em relação à semana anterior”, salientando que este último número era certamente subestimado.

A estimativa do número de mortes baseia-se apenas nas certidões de óbito eletrónicas, que representam pouco mais de metade das mortes no país.

A variação de 30%, por outro lado, é mais representativa da amplitude das consequências sanitárias desta onda de calor que assolou a França durante cerca de 10 dias e se revelou excecional, com três dos dias mais quentes de sempre registados no país.

A tendência é particularmente marcante na Île-de-France (região parisiense), com um aumento de mais de 62% nas mortes na última semana. Um aumento semelhante foi registado na região País do Loire (oeste).

A Santé publique France já tinha avançado um número de mil mortes a mais do que o normal, mas este referia-se apenas ao final da semana. O novo balanço refere-se a toda a semana, embora o calor intenso tivesse começado alguns dias antes.

“O que é muito importante é que, nestas 2.025 mortes (…) se verifica um aumento de 91% nas mortes em casa em comparação com a semana anterior”, precisou a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, no canal TF1.

A onda de calor histórica que atingiu a França no final de junho provocou condições dificilmente suportáveis em muitas habitações. Estão novamente previstas temperaturas elevadas para o fim de semana. Na quinta-feira, eclodiram em lojas cenas de empurrões e até de discussões, após a colocação à venda de 200 mil ventiladores e aparelhos de ar condicionado.

Em todas as faixas etárias, as intervenções por insolação e desidratação multiplicaram-se por seis e por quatro, respetivamente, de acordo com a organização SOS Médecins.

As autoridades sanitárias e o governo têm vindo a chamar a atenção, há vários dias, para o problema das mortes em casa durante a onda de calor. A onda de calor de 2003 causou a morte de 15.000 pessoas em França, na maioria idosos, muitos dos quais em lares de idosos com cuidados médicos (Ehpad), mas também em casa.

O episódio de junho é considerado mais intenso, mas as consequências para a saúde são menores, de acordo com as autoridades.

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