Sismo encerra aeroportos na Colômbia e presidente cria gabinete de crise

O forte sismo que abalou hoje a Colômbia causou estragos em pelo menos seis aeroportos, destruiu parcial ou totalmente habitações e provocou dezenas de feridos, levando o recém-empossado Presidente colombiano a convocar uma reunião de crise.

© Jonh Bonilla / AFP

Segundo a Aeronáutica Civil (Aerocivil) colombiana, grande parte das regiões do oeste e centro do país sofreu graves danos, afetando não só as cidades mas também os aeroportos de Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago e Buenaventura.

“Por razões de segurança, as operações aéreas nestes terminais permanecem suspensas até serem avaliados os danos estruturais nas infraestruturas”, indicou a Aerocivil num comunicado.

Face à crise, o Presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, empossado sexta-feira em Cali, outra das cidades afetadas pelo sismo, convocou já um comité de emergência para responder aos danos causados pelo terramoto de magnitude 7,4 e anunciou que viajará para Pereira, uma das cidades mais afetadas, para acompanhar os afetados.

“Ordenei a instalação de um Posto de Comando Unificado para coordenar a resposta aos danos e aos desalojados”, assegurou o Presidente na rede social X.

“Não estão sozinhos. O Estado está presente e a atuar”, afirmou De la Espriella, que assumiu o cargo há três dias na cidade de Cali, outra das afetadas pelo sismo.

Em Quibdó, capital do departamento de Chocó, situado na costa do Pacífico, várias pessoas ficaram feridas e edifícios ruíram por causa do terramoto, registado às 07:34 locais (13:34 em Lisboa).

O epicentro foi na localidade de San José del Palmar, em Chocó (400 quilómetros a oeste de Bogotá), a uma profundidade de 107 quilómetros, retificaram os serviços geológicos da Colômbia (SGC) e dos Estados Unidos (USGS), que tinham anunciado antes que ocorrera a 82 quilómetros.

“Acabámos de passar por um grave evento sísmico no departamento de Chocó. Embora o epicentro tenha sido em San José del Palmar (pequena localidade de 4.800 habitantes), na capital Quibdó (cerca de 130.000 habitantes) há feridos e graves danos nos edifícios”, afirmou na sua conta na rede X a governadora local, Nubia Carolina Córdoba.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram vários edifícios que ruíram total ou parcialmente em vários bairros de Quibdó e pessoas a correrem em pânico.

A governadora acrescentou que está “a fazer a avaliação dos danos para emitir o primeiro relatório oficial” sobre o terramoto, que também causou graves danos noutras cidades do oeste e do centro do país, como Cali, Manizales, Pereira e Medellín, as mais próximas do epicentro.

Chocó é um dos departamentos mais pobres da Colômbia e não dispõe de recursos suficientes para responder a uma emergência desta magnitude.

Na capital, Bogotá, há notícia da retirada de dezenas de pessoas das suas residências, tendo o governador regional afirmado que há um número indeterminado de feridos.

O sismo foi também sentido em várias províncias do Equador, incluindo a de Pichincha, cuja capital é Quito.

Na capital equatoriana, o terramoto foi sentido com especial intensidade nos edifícios altos, enquanto em várias zonas da província andina de Imbabura, vizinha da de Carchi, fronteiriça com a Colômbia, a população sentiu fortemente o tremor e saiu das suas casas por precaução, disseram à EFE habitantes da região.

O Instituto Geofísico da Escola Politécnica Nacional equatoriano recebeu relatos de cidadãos que garantiram ter sentido o movimento sísmico também nas províncias tropicais de Santo Domingo de los Tsáchilas e Los Ríos, bem como nas costeiras de Esmeraldas (fronteiriça com a Colômbia), Guayas e Manabí.

Este sismo segue-se a outros dois consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorridos na Venezuela no final de junho, que destruíram centenas de edifícios e causaram a morte de mais de 5.000 pessoas.

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