Quatro em cada dez ministros governaram pastas sem formação específica na área

Um estudo aos 25 Governos Constitucionais revela que quatro em cada dez ministros assumiram pastas sem licenciatura ou pós-graduação relacionada com a tutela. Apenas 20,9% tinham especialização académica avançada na área que ficaram responsáveis por governar.

© RUI OCHOA

Ser ministro de uma determinada área em Portugal não significa necessariamente ter estudado essa área. Entre 1976 e 2025, cerca de 40% dos governantes que passaram pelos 25 Governos Constitucionais não tinham licenciatura ou pós-graduação relacionada com a pasta que receberam.

A conclusão consta do estudo ‘Quem Governa Portugal? Perfis ministeriais em perspetiva comparada (1976-2025)’, coordenado pelos investigadores Marcelo Camerlo e António Costa Pinto e publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e consultado pelo Diário de Notícias.

Os números mostram diferentes graus de preparação académica: 39,1% dos ministros tinham uma especialização considerada “moderada”, correspondente a uma licenciatura relacionada com a tutela, enquanto apenas 20,9% apresentavam especialização “ampla”, através de pós-graduação ou doutoramento na área.

Mas o diploma, por si só, não conta toda a história. A investigação distingue a formação académica da experiência técnica e profissional e conclui que, historicamente, os cursos superiores, sobretudo Direito, Economia e Engenharia, funcionaram também como sinal de prestígio e estatuto no recrutamento político.

Entre especialistas e homens do partido

O estudo divide os ministros portugueses em quatro grandes perfis: externos, peritos, políticos-especialistas e políticos. E revela que Portugal seguiu sobretudo um modelo híbrido, privilegiando governantes capazes de juntar experiência política e partidária a conhecimentos técnicos.

Entre os exemplos apresentados está Luís Capoulas Santos, ministro da Agricultura no Governo de António Guterres. Apesar de licenciado em Sociologia, acumulava décadas de experiência política e profissional ligada ao setor agrícola antes de chegar à liderança do ministério.

No extremo mais político surge Leonor Beleza, jurista e dirigente do PSD escolhida por Cavaco Silva para ministra da Saúde em 1985. Segundo o estudo, o antigo primeiro-ministro explicou nas suas memórias que optou deliberadamente por alguém exterior à profissão médica e aos interesses instalados no setor, procurando maior liberdade para avançar com reformas.

Já Mariano Gago representa o perfil do especialista recrutado fora do aparelho partidário. Professor catedrático do Instituto Superior Técnico e com experiência na investigação científica, chegou ao Ministério da Ciência e Tecnologia em 1995 sem percurso político-partidário anterior.

Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação de António Costa em 2015, é apontado como exemplo de um perfil externo: era doutorado em Bioquímica e tinha uma carreira ligada à investigação científica, mas não possuía formação académica ou trajetória profissional específica na área da Educação.

O retrato de quase cinco décadas mostra, assim, uma particularidade do sistema português: Portugal apresenta a maior proporção de ministros independentes da Europa do Sul, mas os partidos continuam a controlar a porta de entrada para o Governo.

Últimas de Política Nacional

André Ventura anunciou este sábado, em Coimbra, que vai assumir pessoalmente a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. Líder do CHEGA promete uma investigação “até ao fim”, garante que não haverá bloqueios aos restantes partidos e deixa um aviso: “Não deixarei que Luís Neves, nem outros Luís Neves, sejam bloqueadores da verdade.”
André Ventura criticou a decisão de José Luís Carneiro de propor a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027 antes de ser conhecido o documento. O Presidente do CHEGA considera que os socialistas passam a ser "parceiros" do Governo e questiona que margem resta para negociar medidas em áreas como Saúde, Administração Interna, combustíveis e alimentação.
A Comissão parlamentar vai analisar a atuação de Luís Neves durante os oito anos em que dirigiu a Polícia Judiciária e apurar eventuais responsabilidades dos membros dos governos que o nomearam e tutelaram. O CHEGA fica com a presidência, enquanto PS e PSD assumem as duas vice-presidências.
Miguel Guimarães, antigo bastonário da Ordem dos Médicos e atual deputado do PSD, é visado por acusações que incluem alegados gastos excessivos, abuso de poder e corrupção passiva.
O CHEGA queria que o Governo português promovesse junto da União Europeia a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. Mas PSD, PS, Livre e Bloco de Esquerda votaram contra.
A concelhia social-democrata corta com Luís Jesus e Alexandra Moura e acusa os dois eleitos de desrespeitarem as orientações do partido.
O CHEGA levou ao Parlamento a descida do IVA dos combustíveis de 23% para 13%, IVA Zero num cabaz de bens alimentares essenciais e o fim das portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama. Nenhuma das propostas passou. PSD, PS e CDS-PP juntaram os votos contra nas duas medidas fiscais.
André Ventura defendeu esta quinta-feira, no Parlamento, uma redução da carga fiscal sobre os combustíveis e acusou o Governo de não responder ao aumento do custo de vida.
O CHEGA aceita as duas limitações impostas por Aguiar-Branco e desbloqueia a comissão parlamentar de inquérito. Ventura mantém as críticas à decisão, mas garante que não deixará cair a investigação aos mandatos do antigo diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves.
Autarquia liderada pelo socialista Gonçalo Lopes repartiu trabalhos semelhantes de gestão florestal por cinco procedimentos, todos abaixo do limiar europeu. Dois ficaram a poucos milhares de euros dos 216 mil e, em quatro concursos, as empresas tiveram apenas cerca de 36 horas para apresentar propostas.