Trabalhar 40 anos para perder 30% do rendimento: jovens condenados a uma reforma mais pobre

Quem entra agora no mercado de trabalho poderá chegar a 2065 com uma pensão equivalente a apenas 70,3% do salário de referência. Especialistas antecipam “perdas significativas” em todos os níveis salariais.

© D.R.

Os jovens que entram atualmente no mercado de trabalho enfrentam um cenário pouco animador quando olham para a reforma. Daqui a 40 anos, a primeira pensão poderá corresponder a apenas 70,3% do salário de referência, o que representa uma quebra de 29,7% do rendimento na passagem da vida ativa para a aposentação.

A projeção resulta de uma análise de especialistas à sustentabilidade da Segurança Social e assenta na chamada taxa de substituição, indicador que estabelece a relação entre o rendimento auferido durante a vida profissional e o valor da pensão recebida no momento da reforma, indica o Correio da Manhã.

As simulações consideram como referência um trabalhador por conta de outrem, com salário médio, 40 anos de descontos e aposentação na respetiva Idade Pessoal de Reforma.

Os números traçam uma trajetória de queda acentuada. Em 2025, a taxa de substituição líquida é estimada em 82,8%, mas deverá recuar para 72,9% em 2045 e cair para 70,3% em 2065.

Na prática, quem está agora a entrar no mercado de trabalho poderá descontar durante quatro décadas e, ainda assim, chegar à reforma com uma quebra próxima dos 30% face ao rendimento de referência, caso estas projeções se concretizem.

A perda deverá atingir todos os níveis salariais, embora de forma desigual. Segundo os especialistas, quanto mais elevado for o rendimento do trabalho, maior será a redução proporcional da taxa de substituição. O sistema deverá continuar a proteger relativamente mais os salários baixos, preservando a sua componente redistributiva, mas a conclusão é transversal: antecipam-se perdas significativas para todos os níveis de rendimento.

Últimas de Economia

A taxa de poupança das famílias na zona euro diminuiu para 14,2% no segundo trimestre, enquanto a taxa de investimento manteve-se estável em 8,3%, divulga hoje o Eurostat.
A taxa de inflação homóloga da zona euro terá aumentado para 3,8% em setembro de 2026, puxada pelos preços da energia, segundo uma estimativa rápida do Eurostat.
O índice dos preços mundiais calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu 5,8% em setembro face ao mesmo mês de 2025, foi hoje anunciado.
O Banco de Portugal (BdP) alertou hoje para uma nova burla e apelou às pessoas para terem atenção se receberem um cartão multibanco novo na caixa do correio, já que este pode ser falso.
A taxa de juro média das novas operações de crédito à habitação voltou a subir em cadeia em agosto, para 3,00%, situando-se acima dos 2,88% do mesmo mês de 2025, divulgou hoje o Banco de Portugal (BdP).
Os preços das casas subiram, no primeiro trimestre, 1,1% na zona euro e 1,2% na União Europeia (UE) na comparação homóloga, com Portugal a registar o maior aumento entre os Estados-membros (16,5%), divulga o Eurostat.
O Tribunal de Contas detetou falhas na informação sobre centenas de milhões de euros distribuídos pelo Estado a fundo perdido. Dos apoios analisados, 526 milhões ficaram sem informação suficientemente clara sobre a respetiva identificação ou finalidade. Conta Geral do Estado de 2025 recebeu um juízo de não conformidade.
O preço do cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste aumentou 11 cêntimos na última semana, após ter descido na semana anterior, fixando-se nos 254,22 euros, informou hoje a associação de defesa do consumidor.
O presidente do CHEGA criticou as alterações do Governo ao regime do arrendamento e alertou para o aumento do custo da habitação. "Queremos direitos para quem se mata a trabalhar e não consegue pagar uma casa", afirmou André Ventura.
O Estado registou um excedente de 249,3 milhões de euros até agosto, uma diminuição de 1.799,4 milhões de euros face ao período homólogo, revelou a síntese de execução orçamental.