Esta é uma das conclusões da nova edição do PISA – Programme for Interacional Student Assessment, o maior estudo internacional de educação realizado pela OCDE, que envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países e economias.
Os dados hoje divulgados trazem más notícias para Portugal: Os jovens de 15 anos avaliados no ano passado voltaram a piorar a Matemática, Leitura e Ciências.
Os resultados dos 6.945 alunos de 225 escolas portuguesas “regressaram a valores próximos dos observados em 2006 nas três disciplinas, revertendo completamente os ganhos anteriores”, refere o estudo.
Mas olhando para as disciplinas individualmente, a situação é ainda mais preocupante.
Os alunos portugueses tiveram agora um desempenho a Leitura pior do que em 2000 e a Matemática obtiveram um resultado próximo ao dos colegas que fizeram a prova em 2003.
Portugal participou pela primeira vez no PISA em 2000 e, nessa altura, os alunos portugueses surgiam entre os piores e muito abaixo da média da OCDE.
Até 2015, foram melhorando os seus resultados nas provas que se realizavam de três em três anos, ao ponto de o diretor do Departamento de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, olhar para o país de “maus alunos” como uma das “maiores histórias de sucesso da Europa”.
No entanto, os alunos que realizaram a prova de Leitura no ano passado tiveram 462 pontos, ou seja, oito pontos abaixo da nota obtida em 2000, numa escala em que 500 pontos é a média de referência definida pela OCDE.
Já a Matemática, os conhecimentos recuaram a níveis de 2003, quando Portugal participou pela segunda vez no PISA e obteve 466 pontos. Os alunos que fizeram a prova no ano passado tiveram 460 em Matemática.
Ciências foi a disciplina com a descida menos acentuada, mantendo-se em linha com a média da OCDE, com 482 pontos.
Além desta descida generalizada, que acompanha uma tendência de muitos países da OCDE, existem outros números preocupantes no relatório, como o aumento de alunos portugueses com conhecimentos abaixo do nível mínimo de proficiência.
Numa escala de seis níveis, em que os dois primeiros representam conhecimentos muito básicos, notou-se um aumento brutal de alunos abaixo do 2.º nível, em especial a Matemática e Leitura (mais 11 pontos percentuais na última década).
O estudo mostra que 65% dos alunos portugueses atingiu pelo menos o nível 2 a Matemática, 72% a Leitura e 76% a Ciências, ou seja, neste último caso conseguem reconhecer a explicação correta para fenómenos familiares.
A Matemática, este nível significa que conseguem, por exemplo, comparar a distância total entre dois percursos alternativos ou converter preços para outra moeda, segundo uma explicação do Programme for Interacional Student Assessment (PISA).
Os alunos que atingem pelo menos o nível dois a Português são capazes de identificar a ideia principal num texto de extensão moderada, por exemplo.
Portugal continua estatisticamente perto da média da OCDE, mas perdeu conhecimento, havendo poucos alunos de excelência: Apenas 6% são top performers em Ciências (a média da OCDE é 7%), 6% a Matemática (8% na OCDE) e só 3% em Leitura (metade da OCDE, que é de 6%).
Os investigadores concluem que o sistema de educação português continua relativamente capaz de garantir um patamar mínimo a muitos alunos, mas parece ter dificuldades em produzir desempenhos de excelência.
Numa comparação entre os 90 países envolvidos, Portugal surge em 29.º lugar a Ciências, 26.º a Leitura e 30.º a Matemática no PISA 2025.
Face ao estudo anterior, de 2023, os alunos portugueses subiram uma posição em Ciências, mas caíram dois lugares em Leitura e um em Matemática, áreas em que perderam, respetivamente, 15 e 12 pontos.