“Chegam ao aeroporto e vêm para aqui”: 40% dos utentes do Amadora-Sintra são estrangeiros

Hospital serve quase o dobro da população para que foi projetado. Presidente da ULS admite pressão do “turismo de saúde”, revela que a maioria dos nascimentos é de estrangeiros e questiona quem paga os cuidados de quem não desconta em Portugal. Há ainda 200 mil pessoas sem médico de família.

©facebook.com/hospitalfernandofonseca

O Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca foi projetado para servir cerca de 300 mil pessoas, mas responde atualmente a uma população próxima do dobro. Em entrevista ao Observador, Sandra Cavaca, presidente do Conselho de Administração da ULS Amadora-Sintra, estima que 40% dos utentes sejam estrangeiros, provenientes de cerca de 150 nacionalidades, e reconhece que o chamado “turismo de saúde” contribui para aumentar a pressão sobre a unidade.

“Há muitas pessoas que chegam ao aeroporto e vêm para aqui. Já têm familiares na zona e vêm”, afirmou. Na obstetrícia, segundo a responsável, a maioria dos nascimentos é de pessoas estrangeiras. Questionada sobre a existência de cidadãos que viajam propositadamente para Portugal para terem os filhos no SNS, foi taxativa: “Não tenho dúvidas. Vêm.”

Sandra Cavaca levanta ainda dúvidas sobre quem suporta os custos dos cuidados prestados a quem não desconta em Portugal. “Nós prestamos os cuidados, somos obrigados a prestá-los, mas depois cobramos a quem?”, questionou.

A imigração, contudo, está longe de explicar sozinha os problemas da ULS. Cerca de 200 mil pessoas não têm médico de família e a equipa fixa da urgência conta atualmente com apenas oito ou nove médicos, quando seriam necessários cerca de 30. Os tempos de espera já atingiram as 23 e 24 horas.

A falta de capacidade de internamento agrava o cenário: são necessárias mais 100 camas e a ULS dispõe de apenas 0,8 camas por mil habitantes. No Hospital de Sintra existem 60 camas de internamento, mas apenas 10 estão ocupadas devido à falta de profissionais.

Para aliviar a pressão, está prevista para outubro a abertura de um Centro de Atendimento Clínico na Amadora, destinado aos casos menos graves, além de seis gabinetes de teleconsulta. A administração pretende ainda construir um novo edifício de internamento, num investimento estimado em 41,42 milhões de euros.

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