Mais de 80% dos novos créditos à habitação de 2024 celebrados com taxa mista

Os clientes dos bancos estão a celebrar com maior frequência empréstimos à habitação com taxas de juro mistas, tipologia que abrangeu mais de 80% do total de novos contratos em 2024, segundo o Banco de Portugal.

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O relatório de acompanhamento dos mercados de crédito de 2024, publicado hoje pelo Banco de Portugal, refere que, no ano passado, os novos contratos de empréstimos para a compra de casa celebrados com uma taxa mista – que combina uma taxa fixa durante um determinado período, seguido de uma taxa variável – passaram a representar 82% do número de novos contratos, quando, em 2023, a percentagem estava nos 45%.

Numa altura em que os juros ainda se encontram “relativamente” elevados, mas em queda, as instituições bancárias registaram um “aumento da procura e da contratação de taxas mistas no âmbito de crédito à habitação”, diz o banco central, referindo que essa tendência “foi acompanhada pela comercialização de mais produtos de crédito à habitação com este tipo de taxa de juro”.

O peso dos contratos de crédito à habitação celebrados a taxa fixa e a taxa variável baixou de forma significativa, passando a representar apenas 6,4% e 11,6% dos novos contratos, respetivamente.

Apesar disso, a maioria dos contratos que se encontravam na carteira dos bancos no final de 2024 continuava a ter taxas variáveis. Essa tipologia abrangia 74,7% dos 1,32 milhões de contratos existentes e 60,9% dos 101,7 mil milhões de euros que os clientes bancários tinham em dívida.

Os contratos celebrados com taxa mista só correspondiam a 22% do número de contratos em carteira e 34,4% do saldo em dívida. Os contratos associados a taxa fixa representavam 3,3% do número de processos e 4,7% do montante devido aos bancos.

No caso dos contratos com taxas variáveis, indexadas à Euribor a três, seis e 12 meses, o ‘spread’ médio dos novos contratos foi de 0,89 pontos percentuais, o que compara com 0,93 pontos em 2023, refere o relatório do banco central.

No segmento do crédito à habitação, o principal do mercado bancário, foram celebrados 125,4 mil novos contratos em 2024, mais 26,6% do que em 2023, e concedidos “cerca de 17,9 mil milhões de euros de crédito” inicial, mais 32% do que no ano anterior.

Por mês, os bancos concederam, em média, 1.491,7 milhões de euros, mais 32% do que em 2023.

Foram celebrados, em termos médios, 10.447 contratos de crédito à habitação por mês, um aumento de 26,6% face ao ano anterior. Houve em todos os trimestres um aumento quer no número de novos contratos, quer no montante inicial do crédito concedido.

O prazo dos contratos de crédito à habitação celebrados ao longo do ano passado foi de 30,6 anos, “valor semelhante ao observado em 2023”.

Em simultâneo, o tempo médio dos contratos em carteira em Portugal estava nos 33,5 anos, permanecendo estável em relação a 2023 (33,7 anos).

O relatório de acompanhamento dos mercados de crédito é divulgado todos os anos pelo Banco de Portugal para descrever como está a evoluir a concessão de crédito à habitação e aos consumidores pelos bancos comerciais em Portugal.

O segmento dos empréstimos aos consumidores cresceu no último ano, depois de abrandar em 2023.

O montante do crédito concedido subiu 10%, “aproximando-se do nível observado em 2021 (11,6%) e 2022 (15,6%) e situando-se significativamente acima de 2023 (0,8%)”. O número de contratos celebrados “aumentou 5% em 2024, o que compara com um crescimento de 1,9% em 2023”, refere o BdP.

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