Pais imigrantes abandonam filhos em Espanha para ativar apoios

Famílias imigrantes estão a viajar propositadamente para deixar adolescentes em instituições espanholas e aceder a benefícios públicos — um esquema que já envolve dezenas de casos e redes organizadas. O CHEGA avisa que Portugal “pode ser o próximo alvo” se não fechar urgentemente brechas legais semelhantes.

© D.R.

Um fenómeno chocante está a ganhar dimensão em Espanha: famílias imigrantes deslocam-se a cidades como Granada apenas para abandonar filhos adolescentes em comissarias, tribunais ou centros de acolhimento — desencadeando automaticamente o estatuto de menores estrangeiros não acompanhados e garantindo proteção estatal, escolaridade gratuita e um caminho acelerado para a residência.

Segundo o jornal espanhol La Gaceta, só em 2024 foram identificados mais de 35 casos na província de Granada, mas o padrão já se estende a Málaga, Madrid, Vitoria e várias zonas da Catalunha. Fontes judiciais admitem que estes números “são apenas a ponta do icebergue”, porque muitos casos não chegam sequer a ser denunciados.

O esquema repete-se com precisão: os pais entram em Espanha com visto de turista, deixam jovens — muitos com 16 ou 17 anos — a declarar abandono e regressam ao país de origem no próprio dia. Com este gesto, ativam de imediato o protocolo MENAS, que atribui alojamento, apoio psicológico, educação, ajuda financeira e mecanismos rápidos de regularização. A partir dos 18 anos, estes jovens podem solicitar autorização de residência e trabalho, um dos regimes mais permissivos da Europa.

Nos centros de acolhimento, os profissionais descrevem uma nova geração de falsos “menores em risco”: adolescentes com roupa cara, telemóveis premium e domínio fluente de várias línguas, muito distantes do perfil típico dos jovens que chegam em pateras ou em rotas de risco. Trabalhadores entrevistados pelo Ideal e pela RTVE admitem que “há casos em que as famílias chegam a contratar advogados para instruir os filhos sobre o que dizer”.

A Fiscalía de Menores confirma que estes casos já não são tratados como simples pedidos de proteção, mas como potenciais crimes cometidos por adultos, incluindo abandono qualificado e fraude aos sistemas de proteção. Contudo, a lei obriga as autoridades a receber qualquer jovem que alegue estar sem tutela — mesmo perante sinais óbvios de encenação.

A pressão sobre o sistema é tão grande que, segundo vários responsáveis, há centros a operar acima da capacidade, o que está a prejudicar menores verdadeiramente vulneráveis. Organizações que trabalham com refugiados alertam que “a saturação impede intervenções eficazes em casos reais de abuso, exploração e tráfico”.

O problema não é isolado. Em Tarragona, a Polícia Nacional desmantelou este ano uma rede organizada que encenava abandonos para aceder a apoios públicos — operação que levou a 30 detenções e expôs um esquema de mais de 1,5 milhões de euros em fraude. Casos semelhantes foram identificados em Madrid e Barcelona, e o governo espanhol já admite rever a legislação.

O CHEGA reagiu aos acontecimentos no país vizinho e avisou que Portugal corre o mesmo risco, sobretudo com o aumento de menores estrangeiros acolhidos nos últimos anos e a falta de mecanismos de verificação eficazes.

Para André Ventura, presidente do partido, o caso espanhol é um aviso claro: “O que está a acontecer em Espanha é o retrato perfeito do que acontece quando o Estado transforma solidariedade em ingenuidade. Se Portugal não reforçar os mecanismos de controlo, seremos a próxima porta aberta para fraudes familiares que vivem à custa dos contribuintes.”

Ventura sublinha que a legislação portuguesa — que garante proteção imediata a qualquer menor que alegue estar sozinho — é “ainda mais permissiva do que a espanhola”, e lembra que Portugal tem registado um aumento contínuo de menores estrangeiros em instituições desde 2018.

Segundo dados da Segurança Social e de relatórios recentes das Comissões de Proteção, o número de jovens estrangeiros sinalizados disparou nos últimos anos, sendo Lisboa e Setúbal os distritos mais pressionados. Técnicos de várias instituições têm alertado que a falta de verificação de vínculos familiares, documentos e itinerários “pode abrir brechas para esquemas semelhantes aos detetados em Espanha”.

O líder da oposição insiste: “Não podemos permitir que Portugal se torne um destino atrativo para quem procura explorar o sistema.”

Últimas do Mundo

Três pessoas morreram e 14 ficaram feridas após um tiroteio ocorrido num bar em Austin, no estado do Texas, informaram as autoridades policiais.
Mais de 70 casos de 'chikungunya' em viajantes regressados das Seychelles foram registados desde novembro por 10 países europeus, mas o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças afirma que a transmissão local na Europa continental é improvável.
A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.
As autoridades belgas abriram uma investigação após a descoberta de pornografia infantil na cela do pedófilo belga Marc Dutroux, em prisão perpétua pela violação de seis raparigas e homicídio de quatro delas, confirmou o Ministério Público local.
O antigo ministro trabalhista britânico Peter Mandelson foi detido hoje em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, anunciou a Polícia Metropolitana.
O calor extremo aumentou cerca de 10 vezes na maioria das regiões da Europa central e do sul entre 2010 e 2024, em comparação com o período 1961/1990, indica um estudo divulgado hoje.
Um homem de nacionalidade sueca, procurado pela Interpol e que detinha passaporte diplomático como conselheiro especial do Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, foi detido pela Polícia Judiciária são-tomense, na ilha do Príncipe, disse hoje à Lusa fonte judiciária.
Os dois executores do testamento de Jeffrey Epstein propuseram um acordo de 25 milhões de dólares (21,2 milhões de euros) às vítimas do criminoso sexual norte-americano que interpuseram uma ação coletiva contra ambos, segundo uma minuta hoje publicada.