Janeiro terá sido o mês mais chuvoso de sempre, segundo a APA

O mês de janeiro deverá ser o mais chuvoso de sempre, depois de dezembro também já ter registado uma das maiores pluviosidades de sempre, revelou o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado.

© D.R.

“Estamos a viver um tempo excecional, nunca vivemos um tempo assim. Vamos ter talvez o mês de janeiro mais chuvoso de sempre e tivemos o mês de dezembro como um dos mais chuvosos de sempre”, afirmou.

O presidente da APA participou esta tarde, em Coimbra, numa reunião dedicada ao ponto de situação no rio Mondego e à definição e articulação de medidas de mitigação e controlo de cheias na região, que contou com a presença da ministra do Ambiente e Energia e de alguns presidentes de Câmara.

Numa interrupção do encontro, Pimenta Machado evidenciou que, apesar de se viver uma crise sem precedentes, têm-se conseguido “gerir a situação”.

“Estamos a partir para esta tempestade, que é a segunda desta semana e estamos a meio de um jogo que mais parece uma batalha. Fizemos a última e ganhámos, agora temos a segunda pela frente e estamos mais bem preparados do que nunca”, assegurou, indicando que neste momento a cota da barragem Agueira está em “115,9, quando a cota de referência era 117”.

No seu entender, com a cota mais baixa, estamos “mais bem preparados do que nunca” para enfrentar a tempestade, que irá “entrar pela madrugada de quarta-feira e depois vai ganhar intensidade na quinta-feira”.

“É mais uma e depois já temos outra que nos espera no fim de semana. Fizemos tudo para estarmos bem preparados para enfrentar estas intempéries”, acrescentou.

Aos jornalistas, Pimenta Machado explicou que o Mondego é um rio diferente dos restantes que atravessam o país, circulando entre diques, que estão acima da cota de terreno.

“Portanto, é muito imprevisível saber onde eles podem arrebentar e também é muito imprevisível quando arrebentarem: aquilo gera uma onda de cheia com grande energia, diferente, por exemplo, das cheias do Douro”, referiu.

Segundo Pimenta Machado, as cheias do Douro são lentas, o rio vai subindo e vai alargando para as margens, “dando tempo para ir calibrando a gestão das medidas”.

“Mas, estamos confiantes com o trabalho que fizemos preventivo. Insisto, estamos na melhor situação de sempre a enfrentar estas duas intempéries que temos agora para frente”, assegurou.

Apesar de confiantes e sempre vigilantes, “o risco zero não existe”, sublinhou.

“Não existe aqui, não existe em nada, como sabemos todos. Mas estamos muito confiantes do trabalho que fizemos preventivo”, concluiu.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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