Proteção Civil pede aos cidadãos que evitem riscos em zonas inundáveis

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) pediu à população que evite comportamentos de risco, nomeadamente circular nos acessos junto ao rio Mondego, em Coimbra, e que salvaguarde animais e bens, retirando-os de zonas ribeirinhas.

© Facebook da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil

Numa conferência de imprensa em Coimbra, o presidente da ANEPC, José Manuel Moura, destacou que as autoridades já realizaram um conjunto de retiradas preventivas de pessoas de zonas em perigo na região de Coimbra, onde hoje um dique colapsou na margem direita do rio Mondego, nos Casais, junto ao viaduto da autoestrada 1 (A1), agravando o risco de cheias.

José Manuel Moura recomendou aos cidadãos que evitem circular nos acessos junto ao rio Mondego, e pediu para os residentes junto à Nacional 111, que liga Coimbra a Montemor-o-Velho, estarem atentos e seguirem “aquilo que são as indicações da Proteção Civil”.

“Não atravessar a pé ou de viatura. Há pouco estávamos aqui a acompanhar em direto, viaturas a parar na A1 para tirarem fotografias. Parar numa autoestrada já é proibido, numa circunstância destas é ainda mais grave. Portanto, evitar esses comportamentos”, disse, numa conferência de imprensa onde também estiveram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, e a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa.

“Não atravessar a pé ou em viatura estas estradas com linhas de água ou com zonas inundáveis. Não circular nem permanecer em pontes e aceder a locais inundados ou historicamente inundáveis. E evitar atividades junto às linhas de água, sobretudo em locais sujeitos a cheias rápidas”, insistiu.

José Manuel Moura pediu também para que os animais sejam salvaguardados, retirando-os de zonas suscetíveis a inundações.

Equipamentos agrícolas, industriais, viaturas e outros bens devem igualmente ser retirados das zonas ribeirinhas habitualmente inundáveis, junto aos rios Mondego, Ceira, Alva e Arunca, e levados para locais seguros.

O responsável pela Proteção Civil aconselhou ainda os cidadãos a manterem-se informados junto dos órgãos de comunicação social e junto dos agentes de Proteção Civil que estão a acompanhar a situação.

Ainda de acordo com o presidente da Proteção Civil, na quinta-feira verificar-se-á “um aparente desagravamento”, que “é só aparente”, porque as previsões apontam para um elevado valor acumulado de chuva.

“Só a partir de, porventura, sábado poderemos ter aqui algum desagravamento já efetivo”, afirmou.

O responsável destacou também que a ANEPC, em colaboração com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), está a acompanhar a evolução dos caudais no território nacional, “desde o rio Minho às ribeiras do Algarve”, o que “é um trabalho hercúleo, muito significativo”, para ajustar o dispositivo, salientando que “as grandes bacias, não só do Mondego, mas também do Douro e do Tejo” merecem especial preocupação.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu a 10 de fevereiro, nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC).

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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