Mais de 20 pessoas começaram a ser julgadas em Valladolid, Espanha, acusadas de integrar um esquema que alegadamente reutilizava caixões e arranjos florais para revenda, permitindo à empresa funerária envolvida lucrar mais de quatro milhões de euros ao longo de cerca de duas décadas, segundo a agência de notícias espanhola Europa Press.
O caso envolve o Grupo Funerário El Salvador e está a ser julgado no Tribunal Provincial de Valladolid, no âmbito da chamada ‘Operação Ignis’, considerada um dos maiores processos judiciais da província. A investigação aponta para práticas ocorridas entre 1995 e 2015.
De acordo com a acusação, o esquema consistia em retirar os caixões de maior valor pouco antes da cremação no crematório de Santovenia de Pisuerga. Os corpos eram então colocados no forno sobre tábuas ou caixas de baixo custo, enquanto os caixões originais eram limpos e voltavam a ser vendidos como novos.
As autoridades estimam que tenham sido reutilizados 6.055 caixões e 3.174 arranjos florais, num esquema que contou com a colaboração de vários trabalhadores da empresa.
No total, 23 pessoas foram acusadas, embora dois dos principais suspeitos, o proprietário da funerária e um antigo funcionário, tenham entretanto falecido e sido retirados do processo.
A mesma fonte relata ainda que os arguidos respondem por organização criminosa, fraude agravada, branqueamento de capitais e profanação de cadáver, crimes que podem resultar em penas que, no conjunto, ultrapassam 200 anos de prisão.
A investigação começou em 2019, após denúncias relacionadas com extorsão que levaram as autoridades a descobrir registos detalhados da atividade da empresa. Durante as buscas, a polícia apreendeu 26 cadernos com anotações, centenas de fotografias e vídeos e mais de 700 certidões de óbito, elementos que sustentam agora o processo em tribunal.