O CHEGA é a voz das Autonomias

Durante décadas, o PSD foi o principal defensor da Autonomia da Madeira na República, assumindo com clareza a exigência de respeito pelos madeirenses enquanto portugueses de pleno direito e pela necessidade de um tratamento diferenciado decorrente da insularidade e da ultraperiferia. Alberto João Jardim, Mota Amaral e deputados como Guilherme Silva, Correia de Jesus, Hugo Velosa e Joaquim Ponte, fizeram dessa causa uma prioridade, impondo-a no debate nacional e recusando que Lisboa ignorasse a realidade das ilhas.

Todavia, a mudança de liderança política que teve lugar na Madeira em 2015 marcou um ponto de viragem, e, a partir daí instalou-se um ciclo de desgaste, perda de influência e ausência de estratégia na relação entre as regiões, especialmente a Madeira, e a República. Esse enfraquecimento não resultou, de forma alguma, da ação dos deputados eleitos pelas autonomias, mas da falta de visão das lideranças regionais, em especial a da Madeira, mais concentrada na preservação do poder, no compadrio e na gestão de interesses próprios do que na defesa firme das prerrogativas autonómicas, incluindo aquelas que dependem diretamente da Assembleia da República.

A entrada em São Bento de deputados do CHEGA eleitos pelas regiões autónomas trouxe uma alteração significativa neste cenário, com a Autonomia a passar a ocupar um lugar ainda mais central na intervenção política do partido e com o mesmo a assumi-la como compromisso programático e eixo estruturante da sua atuação parlamentar, restaurando-lhe visibilidade e prioridade no plano nacional.

O exemplo mais claro deste novo paradigma tem sido a revisão do modelo de mobilidade aérea, processo no qual o CHEGA não só forçou o debate parlamentar e requereu audições aos ministros competentes, mas também apresentou propostas concretas de alteração ao diploma do governo, defendendo o pagamento apenas do valor fixo, o fim de exigências burocráticas desproporcionadas e a consagração da mobilidade como direito efetivo dos cidadãos.

Hoje, sabemos claramente que o novo modelo de mobilidade refletirá, inevitavelmente, essa intervenção, a qual, mais do que um episódio isolado, constitui um sinal político claro de que a Autonomia voltou – pela voz do CHEGA – a ser defendida na República com firmeza. Num tempo de acomodações e silêncios, o CHEGA e os seus parlamentares autonomistas continuarão a vivê-la como valor inegociável e um instrumento de justiça territorial, reafirmando a Madeira e os Açores como parte única, respeitada e integral da Nação Portuguesa.

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