A M. Freitas Unipessoal, empresa gerida por Margarida Maldonado Freitas, mulher do novo Presidente da República, António José Seguro, registou crescimento de faturação e lucros nos últimos anos. Ainda assim, os dados disponíveis indicam que os trabalhadores passaram a receber menos em termos reais.
Segundo o Página UM, entre 2020 e 2024 a sociedade, que explora duas farmácias nas Caldas da Rainha, faturou cerca de 27,5 milhões de euros e acumulou 2,22 milhões de euros de lucros líquidos, tendo pago aproximadamente 448 mil euros de IRC ao Estado.
Apesar dos resultados positivos, a evolução salarial não acompanhou o desempenho da empresa. De acordo com dados da Informação Empresarial Simplificada (IES), consultados pelo mesmo jornal, o valor médio pago por hora aos trabalhadores passou de 11,2 euros em 2020 para cerca de 10,8 euros em 2024.
Quando ajustado à inflação, este valor traduz-se numa queda real de cerca de 17% no rendimento por hora ao longo de cinco anos.
Na prática, para manter o mesmo poder de compra de 2020, os trabalhadores deveriam estar atualmente a receber cerca de 13,1 euros por hora, valor significativamente superior ao que é efetivamente pago, apurou o Página UM.
Durante o mesmo período, a empresa aumentou a faturação de 4,9 milhões para 5,9 milhões de euros e manteve resultados líquidos relevantes, tendo registado em 2024 um lucro superior a meio milhão de euros.
Já a remuneração da gerente (mulher do atual chefe de Estado) manteve-se relativamente estável ao longo destes anos, situando-se entre 95 mil e 100 mil euros anuais.
O número de trabalhadores também aumentou. Em 2024, a empresa passou de 18 para 22 funcionários, mas a massa salarial global registou apenas um crescimento moderado, o que contribuiu para a redução do salário médio.
Embora estes dados não apontem para qualquer irregularidade legal, a evolução salarial levanta questões sobre a distribuição da riqueza gerada pela empresa, sobretudo num momento em que António José Seguro acaba de assumir funções como Presidente da República, duas décadas depois de Jorge Sampaio ter sido o último chefe de Estado com origem política no Partido Socialista.