Tribunal de Leiria julga homem suspeito de matar amigo

O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar na quinta-feira um homem suspeito de ter matado um amigo e que está acusado dos crimes de homicídio por negligência grosseira e de detenção de arma proibida, neste caso como reincidente.

© D.R

No despacho de acusação, consultado pela agência Lusa, lê-se que no dia 04 de abril de 2025, pelas 18h00, o arguido foi a um café na Nazaré, onde se sentou numa mesa onde estavam dois seus amigos.

Após pedir bebidas para si e para os amigos, tirou de uma bolsa que guardava numa mochila que trazia consigo uma arma de fogo, sem o carregador, que exibiu àqueles.

Nessa sequência, apontou a arma ao peito da vítima, um homem de 68 anos, a cerca de 50 centímetros, dizendo “não tenhas medo que a arma não tem aqui dentro nada”, e premiu o gatilho, fazendo um disparo, segundo a acusação do Ministério Público (MP).

Apesar de não ter o carregador, a arma estava municiada com uma munição de calibre 6,35, que perfurou o peito da vítima.

O arguido abandonou o local e a vítima foi transportada para o hospital de Leiria e, depois, transferida para Coimbra, onde morreu quatro dias depois.

O suspeito não tem licença de uso e porte de armas, nem armas manifestadas em seu nome, de acordo com o MP, adiantando que aquele empunhou a arma na direção da vítima sem previamente se certificar de que a mesma se encontrava totalmente desmuniciada, “como poderia e deveria ter feito, antes de libertar a patilha de segurança e premir o gatilho para efetuar o disparo”.

“Ao empunhar a arma na direção de (…), à referida distância, o arguido não previu como possivel que, acionado o gatilho da mesma, esta disparasse um projétil e a morte daquele pudesse ocorrer, confiando que tal não sucederia uma vez que havia retirado da dita arma o respetivo carregador”, adiantou.

Para o MP, o arguido agiu “sem o cuidado a que estava obrigado e de que era capaz, com total e grosseiro desrespeito e ponderação dos deveres de cuidado a que estava vinculado enquanto possuidor de arma de fogo”, não tendo representado a possibilidade de a sua conduta resultar na morte de terceiros.

O arguido, de 43 anos, estava, à data dos factos, em liberdade condicional.

O julgamento, por um tribunal coletivo, está previsto iniciar às 09:30.

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