Em Portugal, cerca de 40 casas são assaltadas todos os dias. Os dados constam do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025, consultado pelo Correio da Manhã, que aponta para um total de 14.720 assaltos a residências ao longo do ano, dos quais 420 envolveram violência.
Entre os casos mais graves, destacam-se os roubos com recurso a armas de fogo, frequentemente em moradias de elevado valor. De acordo com o relatório, estes crimes revelam um elevado grau de organização, com os suspeitos a realizarem vigilâncias prévias aos alvos, incluindo o recurso a drones.
As vítimas são, na maioria das situações, surpreendidas durante a madrugada, sobretudo pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como idosos. Em vários casos, foram ameaçadas ou agredidas com pistolas ou caçadeiras, tendo como principal objetivo a obtenção de dinheiro e artigos em ouro.
Do ponto de vista geográfico, quase 40% destes crimes ocorreram no distrito de Lisboa, seguindo-se o Porto, com cerca de 13%. Abril foi o mês com maior número de ocorrências, concentrando o pico deste tipo de criminalidade.
Nos furtos sem recurso à violência, o cenário apresenta características distintas, mas não menos preocupantes. O relatório identifica a atuação de grupos itinerantes, com elevada mobilidade entre países europeus, que operam com métodos cada vez mais sofisticados. A utilização de técnicas de reconhecimento e vigilância prévia evidencia, segundo o documento, uma crescente profissionalização destes grupos.
Ainda assim, o RASI refere que, numa perspetiva de longo prazo, a tendência tem sido de estabilização ou ligeira descida deste tipo de crime, em parte devido à crescente utilização de sistemas de segurança doméstica e a alterações nos padrões de vida, como o aumento do teletrabalho.