Portugal contabilizava mais de 1,5 milhões de cidadãos estrangeiros, o equivalente a cerca de 17,6% da população, no final de 2025, segundo dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), consultados pelo Correio da Manhã (CM). Nas prisões, encontravam-se 2.374 reclusos de 86 nacionalidades, correspondendo a 18,1% da população prisional. Em sentido inverso, a maioria dos detidos (81,9%) é composta por cidadãos portugueses.
Entre os estrangeiros condenados, destacam-se as comunidades mais representativas no país, nomeadamente cidadãos brasileiros e oriundos de países africanos de língua portuguesa. Ainda assim, os números exigem uma leitura contextualizada: os brasileiros representam 28% dos reclusos estrangeiros, mas apenas cerca de 5% do total da população prisional.
A distribuição por continentes mantém-se consistente, com África a liderar, representando 43,3% dos reclusos estrangeiros, seguida da América do Sul (31,7%) e da Europa (17,7%).
Segundo o CM, o relatório identifica ainda 19 nacionalidades com 20 ou mais reclusos, sendo que uma parte significativa destes cidadãos reside em Portugal. No que respeita à tipologia criminal, predominam os crimes contra as pessoas, seguidos dos crimes contra o património e dos relacionados com estupefacientes.
Os dados revelam também algumas particularidades estatísticas: há o mesmo número de reclusos oriundos dos Estados Unidos, Rússia e Nepal (10 cada), enquanto a Alemanha regista mais cidadãos presos em Portugal do que Moçambique ou o Paquistão. Entre os casos mais residuais, destaca-se apenas um recluso natural de Timor-Leste.
No sentido inverso, o RASI indica que, no final de 2025, havia pelo menos 1.408 cidadãos portugueses detidos no estrangeiro. Os principais países de destino são o Reino Unido (309), França (288), Suíça (248), Alemanha (112) e Luxemburgo (108). Fora da Europa, registam-se 12 portugueses presos nos Estados Unidos e 24 no Brasil.