A ideia central é simples: prevenir melhor para salvar mais vidas. Mas, segundo o CHEGA, a realidade está longe disso. Há rastreios, mas muita gente não aparece, não é acompanhada ou acaba por ficar perdida no sistema. Em alguns casos, metade das pessoas chamadas para exames nem chega a fazê-los.
O partido líder da oposição aponta também para um problema que já não é novo, mas que continua sem solução: a falta de médicos de família. Com mais de um milhão e meio de portugueses sem acompanhamento regular, torna-se mais difícil detetar sinais de alerta a tempo ou garantir que quem precisa entra nos programas de prevenção.
Outro dos pontos críticos é o que acontece depois dos rastreios. Mesmo quando há suspeitas, nem sempre existe um acompanhamento rápido. Há atrasos, falhas na comunicação e situações em que os doentes acabam por não saber o que fazer a seguir. E quando se trata de cancro, o tempo faz toda a diferença.
O CHEGA defende que o sistema precisa de ser mais ativo, mais próximo das pessoas e menos burocrático. Quer mais acompanhamento, mais rigor na identificação de quem deve ser chamado e uma maior intervenção dos cuidados de saúde primários, sobretudo dos médicos de família, que considera peças-chave neste processo.
Há ainda um alerta para os mais jovens. O partido diz que a prevenção não pode começar tarde demais e que é preciso olhar com mais atenção para hábitos de risco como o tabaco, o álcool ou a obesidade, que continuam a pesar nos números da doença.
No fundo, o que está em causa é mudar a forma como o sistema funciona: passar de uma lógica de resposta tardia para uma verdadeira aposta na prevenção e no diagnóstico precoce.
O projeto vai ser hoje discutido no Parlamento.