OMS confirma segundo caso de hantavírus no navio e há outros cinco casos suspeitos

A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou hoje um segundo caso de hantavírus no cruzeiro que está de quarentena em Cabo Verde e revelou que há outros cinco casos suspeitos.

© D.R.

Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.

Os restantes cinco casos suspeitos, ainda não confirmados em laboratório, são os dois passageiros que morreram a 11 de abril (um homem) e a 02 de maio (uma mulher) e os três casos que estão a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, dois deles elementos da tripulação.

Entretanto, a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro, está a ultimar com as autoridades a retirada dos dois tripulantes com sintomas respiratórios – um leve e outro grave – que precisam de assistência médica urgente.

Os passageiros e tripulantes que não precisam de assistência médica urgente permanecerão a bordo até que um porto de desembarque seja determinado e autorizado, sendo Las Palmas ou Tenerife consideradas possibilidades.

“O ambiente a bordo do m/v Hondius permanece tranquilo, com os passageiros calmos”, afirmou a Oceanwide Expeditions, acrescentando que a empresa está a trabalhar para garantir a segurança dos passageiros e para “agilizar o seu desembarque e exame médico”.

O navio, com 149 pessoas (88 passageiros) de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem. A viagem deveria ter terminado a 04 de maio.

Segundo a OMS, os relatos de doença a bordo foram recebidos entre 06 e 28 de abril, sobretudo febre e sintomas gastrointestinais, com rápida progressão para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque.

Em 11 de abril morreu o primeiro passageiro a bordo do cruzeiro. A causa da morte não pôde ser determinada durante a viagem e o corpo foi desembarcado no dia 24 de abril, em Santa Helena, para repatriamento. A mulher acompanhou o corpo do marido.

Dias depois, a companhia de cruzeiros foi informada de que a mulher, que já apresentava sintomas, tinha piorado durante a viagem de regresso e falecido a 26 de abril. No dia 04 de maio foi confirmado que tinha contraído uma variante do hantavírus.

Entretanto, a OMS anunciou que está a tentar localizar e contactar os passageiros do voo em que viajou esta mulher, uma cidadã holandesa.

Também em 27 de abril, outro passageiro, um cidadão britânico, adoeceu gravemente e foi retirado para a África do Sul, onde permanece nos cuidados intensivos em Joanesburgo em estado crítico, porém estável, também com uma variante do hantavírus confirmada.

O terceiro óbito, de uma mulher, foi registado em 02 de maio, depois de ter começado a registar sintomas no dia 28 de abril. A causa da morte ainda não foi determinada.

Os hantavírus podem passar de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou minúsculas partículas expelidas pela urina, fezes ou saliva de roedores infetados, particularmente em locais fechados ou mal ventilados.

Nas Américas, alguns hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.

A maioria dos hantavírus não se transmite de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, relatado principalmente em partes da América do Sul e que já mostrou conseguir espalhar-se entre humanos.

Ainda não se sabe se a transmissão no surto atual ocorreu por exposição ambiental ou entre pessoas e qual a origem da infeção. O hantavírus específico envolvido também ainda não foi identificado.

A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto e diz que continuará a monitorizar a situação epidemiológica e a atualizar a avaliação de risco.

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