Albufeira inicia época balnear apesar da falta recorrente de nadadores-salvadores

A época balnear arranca oficialmente na sexta-feira em Albufeira, apesar das dificuldades para contratar nadadores-salvadores e ter tudo preparado antes de junho, disse à Lusa o presidente da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS), Alexandre Tadeia.

© DR

O problema repete-se todos os anos, porque o sistema existente “não atrai nadadores-salvadores e não retém” o pessoal, ao ser pouco atrativo, ter uma elevada carga horária e a maioria da mão-de-obra ser composta por estudantes, que só estão disponíveis em julho e agosto, justificou o presidente da FEPONS.

“Isto quer dizer que todos os anos perdemos aproximadamente metade dos que trabalharam na época balneária anterior. E depois o sistema não é atrativo, não há incentivos. As condições de trabalho de nadadores-salvadores são muito duras, com muitas horas de trabalho, com um material que protege pouco e tudo isso contribui para que, por um lado, não atraia e, por outro lado, não retenha”, argumentou.

Mesmo fazendo formações anuais e existindo 5.000 mil pessoas com o curso nadador-salvador, a maioria são estudantes universitários e, “nesta altura, não estão disponíveis para trabalhar”, colocando um “enorme problema” a quem quer começar a época balnear em maio, argumentou.

“E, normalmente, só se consegue de facto resolver utilizando mão-de-obra estrangeira”, disse o presidente da FEPONS, frisando que, “mesmo com grande planeamento”, é “muito difícil” aos concessionários fazerem a contratação antes de junho.

Para Alexandre Tadeia, é preciso criar incentivos para tornar a profissão atrativa, ter carreiras profissionais que permitam aos nadadores-salvadores trabalhar todo o ano e apostar na formação de mão-de-obra local para ultrapassar também a dificuldade que muitos trabalhadores estrangeiros têm para encontrar alojamento a preços acessíveis.

A realização de programas de salvamento aquático e desportivo nas escolas e o reconhecimento por parte dos municípios de que esta área é também um investimento que tem frutos e deve ser assumido a nível local são outras das medidas propostas pela FEPONS, referiu.

Já o presidente da Associação de Nadadores-Salvadores de Albufeira, Jorge Azevedo, disse à Lusa que só é possível ter tudo pronto atempadamente com um trabalho que começa mal acaba a anterior época alta.

O responsável explicou que Albufeira tem a particularidade de contar com “cobertura” de socorristas na praia “durante o inverno, principalmente na frente de mar do município”, e nas piscinas municipais, mas a preparação de cada época balnear precisa de “um cuidado acrescido” e um trabalho de antecipação para garantir os meios necessários.

O dirigente associativo afirmou que, embora a época balnear comece oficialmente na sexta-feira, há praias a funcionar desde 01 de maio e outras desde abril, havendo concessionários que dependem apenas de si.

No entanto, os que estão integrados no plano da associação dependem de um “trabalho conjunto de preparação” e “continuado” que permite ultrapassar a falta de nadadores-salvadores, com profissionais que provêm, muitas vezes, de países da América do Sul, como Argentina e Brasil.

“A Associação de Nadadores de Albufeira tenta fazer sempre cursos de formação para minimizar esse impacto da dificuldade de arranjar nadadores-salvadores, mas todos os anos temos aquela questão dos mais velhos que já não querem regressar, dos mais jovens que só querem trabalhar ou só podem […] trabalhar os meses de julho e agosto”, exemplificou.

Para ultrapassar a falta de nadadores-salvadores “tem que se recorrer muitas vezes a outras nacionalidades […], mas isso implica um planeamento sempre muito rigoroso e muito antecipado, porque todos os anos temos os mesmos problemas”, salientou.

Albufeira é o primeiro concelho do Algarve a iniciar oficialmente a época balnear, na sexta-feira (15 de maio) – nos restantes concelhos do distrito de Faro só começa a 01 de junho.

Últimas do País

A GNR contabilizou hoje de manhã 380 camiões na marcha lenta organizada por empresários do setor das terraplanagens e realçou que o protesto decorreu sem incidentes.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) registou um total de 99 acidentes nas estradas da Região Autónoma da Madeira na última semana, que fizeram 29 feridos, quatro dos quais graves, e uma vítima mortal.
Luísa Ribeiro integra uma das equipas candidatas à liderança da televisão pública, mas mantém um processo contra o Estado e a Presidência do Conselho de Ministros, precisamente a área governativa que tutela a RTP. Caso estará relacionado com a sua saída da administração da AIMA.
O Ministério Público (MP) acusou de homicídio qualificado um homem de 51 anos que, em dezembro de 2025, matou a golpes de enxada uma vizinha de 71 anos em Adaúfe, Braga, por causa de uma dívida de 35 euros.
O Presidente da Junta de São Marcos da Serra é acusado de ter feito uma denuncia falsa à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens depois de estes o terem enfrentado. Questionado pela Sábado sobre se ainda tem condições para continuar, Márcio Coelho responde: "Obviamente".
O presidente do CHEGA, André Ventura, lamentou hoje a morte de uma bombeira de 24 anos que combatia um incêndio florestal em Resende e destacou a sua "coragem, dedicação e sacrifício".
Três pessoas foram detidas por tráfico de droga em Tavira, após a GNR desmantelar uma estrutura destinada ao cultivo e produção de canábis, e um dos suspeitos ficou em prisão preventiva, anunciou hoje esta força.
Homem de 82 anos sofreu uma queda no Cacém e foi levado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Só 18 horas depois soube que tinha o fémur fraturado e acabou transferido para o Amadora-Sintra para ser operado, revela o Correio da Manhã.
A marcha lenta organizada por empresários do setor das terraplanagens arrancou hoje pelas 07:40 da entrada de Lordelo da A42, com mais de uma centena de viaturas, para exigir "respostas concretas" ao aumento dos combustíveis.
Utentes da Ponte 25 de Abril estão hoje a realizar um buzinão contra o preço dos combustíveis e exigir a demissão da ministra do Ambiente e o regresso do teletrabalho, disse Aristides Teixeira, da associação que convocou o protesto.