O Eco de Maio – 100 Anos da Revolução Nacional

A Arrancada de Braga

A 28 de Maio de 1926, arrancava em Braga o pronunciamento militar liderado pelo General Gomes da Costa e secundado por um tenaz grupo de jovens tenentes, que se alastraria por todo o país, culminando a 7 de Junho do mesmo ano, com a entrada do prestigiado veterano de muitas guerras de aquém e além-mar, em Lisboa. Montado a cavalo e erguendo a sua espada – num gesto que parecia reconciliar Portugal com a sua própria história –, desfilou à frente de cerca de 15 mil homens provenientes das mais variadas unidades militares; obteve a anuência de nacionalistas, monárquicos, católicos, republicanos conservadores, e de todos os patriotas de bom coração das mais diversas proveniências. O General assumia-se, desse modo, como o vencedor e chefe do 28 de Maio.

Consumido por 16 anos de violenta agitação social, balbúrdia política, subdesenvolvimento, perseguições religiosas e o esfacelamento de uma guerra estrangeira, o bom povo de Portugal aplaudia de pé a libertação do solo pátrio dos grilhões dos demagogos da “República Velha”, pérfida e opressiva ditadura de rua. Era assim (re)estabelecida a Ordem e dava-se início a uma “coisa nova”, que não se conhecendo à época o real significado, revelou-se fecunda semente de um posterior ciclo virtuoso de regeneração nacional, agora mais sólido, após a trágica efemeridade sidonista.

Estava consumada a Revolução de Maio. 

Reerguer a Nação: A Obra da Matéria e o Resgate do Espírito

Derrubada a república de Afonso Costa e António Maria da Silva, prevaleciam duas obras fundamentais: repor a Ordem e (re)aportuguesar Portugal. No campo do espírito e da matéria, muito havia por fazer. Urgia restaurar o valor da autoridade, após décadas de anarquia, corrupção e conluios de bastidores, que haviam ditado a «substituição do «justo império da lei» pelo tirânico domínio da arbitrariedade e da prepotência plutocráticas.» (1)

Simultaneamente, impunha-se sanear as finanças públicas, retirando o país da situação de quase bancarrota causada por déficits crónicos e acelerados pela ruinosa participação portuguesa na Grande Guerra; (re)prestigiar e (re)equipar a tropa, nomeadamente a Marinha, muitas vezes descrita como próxima do “zero naval”. Era indispensável, por fim, inverter o descalabro económico, recuperar a infra-estrutura pública que ainda datava grosso modo dos «surtos de fomento impulsionados por D. Pedro V e pelo fontismo» (2) e alfabetizar uma Nação que acumulava um século de atraso estrutural ao nível de desenvolvimento humano face à Europa do Norte. 

A nível cultural e institucional imperava (re)integrar a Portugal no seu destino histórico, o que «implicava não apenas o regresso às unidades orgânicas (a família) e sociais (as corporações), mas também a valorização da vida no espírito cristão.» (3) Como já havia sido teorizado, por movimentos intelectuais como o Integralismo Lusitano, conjugar a perenidade do espírito português com as instituições modernas era uma tarefa tão necessária como hercúlea, que tinha de ser obviamente feita fora do facciosismo partidário. Como sentenciou Teixeira de Pascoaes (1915): «o bom português necessita conhecer a alma da Patria, entranhá-la e acendê-la em seu espirito, guiando-se pela sua luz. Depois legislará, reformará ou creará literaria e artisticamente uma obra duradoura e util.» (4)

Actualidade do 28 de Maio
Passados 100 anos, Portugal encontra-se de novo perante o espelho da sua própria decadência: um Estado capturado pelos interesses partidários e das seitas de sempre, umas Forças Armadas de “opereta”, uma economia estagnada, uma cultura de esquerda que asfixia o pensamento, uma soberania diluída em burocracias transnacionais (UE, ONU) com agendas globais e, uma matriz identitária em perigo, sob o peso de uma substituição demográfica imposta, com perto de um quinto de população estrangeira – na sua maioria extra-europeia. 
A questão que se impõe ao patriota português de hoje não é a de derrubar a democracia, mas a de resgatá-la, no sentido de uma democracia mais directa, menos mediada, contra um demoliberalismo que, criado para dar voz a todos, se converteu numa oligarquia de notáveis que prefere sacrificar a soberania e a liberdade à perda do controlo sobre as nossas vidas. Um Estado que abdicou da sua função primordial de proteger a nação portuguesa e o seu território, ameaçando a preservação do seu povo – seiva da sua árvore pátria. Em 2026, como em 1926, a escolha é entre o definhamento servil ou uma verdadeira revolução nacional. Se em 1926 o país escolheu a Ordem para não morrer, em 2026 deve escolher a Identidade para não desaparecer.
«Acrescentai, por favor, que lutei, luto e lutarei até ao derradeiro alento pela preservação dessa identidade, última razão de ser de qualquer indivíduo ou colectividade, e que repudio com todas as veras da alma a irresponsabilidade da Europa que em Maastricht, sornamente, a tenta negar, trair-se e trair-nos.» (5)

Lutemos pelo Nosso Direito a Existir!
* capítulo de um texto do livro “O Século de Maio – 100 Anos da Revolução Nacional”, uma antologia organizada por Alexandre Franco de Sá, Bruno Oliveira Santos, Frederico Nunes da Silva e José Almeida – editada pela Fronteira do Caos Editores-, que reúne ensaios e textos historiográficos de mais de 40 personalidades das Direitas em Portugal

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1- COSTA, Eduardo Freitas da –  História do 28 de Maio. Edições do Templo, Lisboa: 1979, p. 28.
2- COSTA, Eduardo Freitas da –  História do 28 de Maio. Edições do Templo, Lisboa: 1979, p. 30.
3- ELIADE, Mircea –  Salazar e a Revolução em Portugal. Esfera do Caos Editores, Lisboa: 2011, p. 217.
4- PASCOAES, Teixeira de – O Espírito Português. Edição da Renascença Portuguesa, Porto: 1915, p. 77.
5- TORGA, Miguel –  Diário XVI. Edição do Autor, Estoril: 8 de Julho de 1992.

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