Ordem dos Médicos exige esclarecimentos urgentes sobre falha de energia que afetou SNS

A Ordem dos Médicos exigiu esta segunda-feira explicações urgentes sobre a falha de energia que afetou os sistemas informáticos do SNS na sexta-feira e poderá ter deixado mais de 150 mil consultas e atos clínicos sem registo em tempo real.

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Na sequência das “perturbações significativas” registadas, na passada sexta-feira, nos sistemas informáticos do Serviço Nacional de Saúde, a Ordem dos Médicos (OM) pediu esclarecimentos aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), lamentando não ter sido contactada em tempo útil por esta entidade.

“Uma comunicação institucional imediata teria sido essencial para informar e apoiar os médicos, proteger os doentes e assegurar que os profissionais sabiam como atuar perante o problema em concreto”, afirmou o bastonário da OM, Carlos Cortes, citado em comunicado.

Para Carlos Cortes, “não deixa de ser estranho e preocupante que os SPMS não tenham contactado a Ordem dos Médicos até ao dia de hoje”, considerando que “este bloqueio de informação é incompreensível”.

A OM salientou que “as falhas afetaram unidades de saúde de todo o país, condicionaram o acesso à informação clínica e comprometeram a realização de atos essenciais à prestação de cuidados”.

Perante esta situação, a Ordem considerou “indispensável conhecer, com rigor e transparência, o que aconteceu, quais as causas concretas, os sistemas afetados, durante quanto tempo estiveram indisponíveis e que medidas foram adotadas para garantir a continuidade da atividade clínica e a segurança dos doentes”.

A Ordem dos Médicos estima que mais de 150.000 consultas e atos clínicos programados tenham ficado sem registo informático em tempo real.

“Muitas consultas não se realizaram ou foram adiadas. Uma ocorrência com impacto direto no acesso dos doentes aos cuidados de saúde, na qualidade da decisão médica e na organização do trabalho”, sublinhou.

A OM recordou que  é a “segunda falha grave”, em menos de um mês, nos sistemas de informação do SNS: “A 22 de maio, uma falha de segurança afetou dados administrativos e informação associada a processos clínicos de mais de 100 mil utentes em todo o país, incluindo crianças”.

A Ordem dos Médicos disse que também solicitou esclarecimentos urgentes aos SPMS sobre esta situação, mas ainda não obteve resposta até ao momento.

Para a OM, está em causa a resiliência dos sistemas críticos do SNS, a proteção dos dados dos utentes, a confiança dos cidadãos e a segurança da decisão médica.

“Quando os sistemas informáticos falham, os médicos ficam sem acesso a dados indispensáveis, como antecedentes clínicos, medicação habitual, alergias, exames, prescrições de medicamentos e de exames, referenciações e informação relevante para a continuidade dos cuidados. Isto aumenta o risco clínico e coloca os profissionais perante decisões tomadas em condições degradadas”, alertou.

A Ordem dos Médicos defendeu que devem existir planos de contingência claros, testados e conhecidos pelos profissionais, com orientações clínicas e operacionais simples, circuitos alternativos, referenciação e acesso à informação essencial, bem como procedimentos seguros de registo e validação posterior dos atos realizados.

Na carta dirigida aos SPMS, Carlos Cortes solicita ainda esclarecimentos sobre os sistemas de redundância existentes e sobre o projeto do segundo polo de infraestrutura central dos SPMS, anunciado para reforçar a resiliência dos sistemas críticos do SNS.

“A segurança dos doentes, a continuidade dos cuidados, a proteção dos dados clínicos e as condições de trabalho dos médicos exigem informação clara, rápida e transparente. São incompatíveis com qualquer prática de omissão ou ocultação de informação relevante”, referiu.

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