Cerca de 1.500 pessoas em protesto contra falta de água na Costa de Caparica, em Almada

Cerca de 1.500 pessoas juntaram-se hoje num protesto contra a falta de água na Costa da Caparica em que exigiram soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

A população tinha inicialmente convocado um cordão humano, mas o protesto acabou por assumir a forma de um desfile entre o Centro Comercial O Pescador e a rotunda de acesso ao IC21, sob vigilância de um forte dispositivo da GNR.

“Inês para a rua, Almada não e tua”, foi uma das muitas palavras de ordem dirigidas à presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS), que os manifestantes responsabilizam pela falta de água no concelho do distrito de Setúbal.

Para João Paulo, morador em Santo António da Caparica, a falta de água nas últimas semanas tem sido “insuportável”.

“Quando as pessoas têm de acordar cedo para ir trabalhar e chegam à torneira sem uma gota de água, isto torna-se insuportável. É revelador da incompetência da governação da Câmara Municipal de Almada”, afirmou.

O morador acusou ainda o município de não ter aproveitado fundos europeus destinados à melhoria da rede de abastecimento.

“A Câmara sabia que existiam meios da União Europeia para substituir e melhorar o sistema de distribuição de água e não o fez, por incúria ou incompetência”, sustentou.

Questionado sobre o que espera após o protesto, João Paulo defendeu que Inês de Medeiros já não tem condições para continuar no cargo.

“Que peça a demissão ou que o secretário-geral do Partido Socialista lhe tire a confiança política”, disse.

Márcia Tavares, residente há cerca de 30 anos na Costa da Caparica, admitiu que há situações pontuais de falta de água que são toleráveis, mas considera que a situação atual é inaceitável.

 “É uma vergonha. Tivemos dias seguidos sem água, com temperaturas de 30 e 40 graus, e ninguém dá uma explicação nem assume responsabilidades”, afirmou, assegurando que a falta de água se agravou nas últimas semanas.

“Há crianças, idosos e lares sem água. Só queremos uma solução. Não estamos a pedir nada de extraordinário, apenas água, que é um bem essencial”, afirmou.

Márcia Tavares criticou ainda a gestão do abastecimento de água, defendendo que, caso as interrupções fossem inevitáveis, deveriam ser distribuídas de forma faseada pelas diferentes freguesias do concelho.

 Para Ana Paula Gonçalves, residente na Costa da Caparica, é um drama sair do trabalho sem saber se vai ter água para tomar banho em casa.

“Os canos estão degradados há muitos anos. Agora dizem que vão fazer furos, mas isso não resolve tudo. Se quisessem, pediam água a um concelho vizinho”, afirmou.

Já Maria Manuela, de 80 anos, residente desde sempre na Costa da Caparica, garante nunca ter vivido uma situação semelhante.

“Nunca passei por isto. Antes, quando havia uma rotura, reparavam-na e ao fim de cinco ou seis horas já tínhamos água. Agora é demasiado”, afirmou.

A idosa contou ainda que permanece acordada durante a noite “à espera de ouvir o autoclismo encher” e lamentou as dificuldades provocadas pela falta de abastecimento.

Presente na manifestação, o deputado do Livre eleito por Setúbal, Paulo Muacho, disse estar na Costa da Caparica para manifestar “solidariedade com a população e exigir esclarecimentos” às entidades responsáveis.

“Estas pessoas estão sem água há vários dias e precisam de uma resposta das entidades públicas. O problema tem de ser resolvido com urgência”, afirmou.

Paulo Muacho revelou ainda que o Livre já pediu audições parlamentares à presidente da Câmara Municipal de Almada, ao presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), para apurar as causas das sucessivas falhas no abastecimento.

Também presente no protesto, o deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo manifestou solidariedade com a população afetada e considerou que a situação exige uma resposta rápida das entidades competentes.

O parlamentar defendeu ainda que é necessário apurar as causas das falhas no abastecimento, garantir transparência na informação prestada aos moradores e acelerar os investimentos necessários para assegurar que situações desta natureza não se repitam, sublinhando que o “acesso à água constitui um direito essencial”.

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