Ventura exige demissão de Luís Neves e intervenção de Seguro

O Presidente do CHEGA voltou a pedir a demissão do ministro da Administração Interna e a intervenção do Presidente da República, considerando que as polémicas com Luís Neves estão a levar a uma "degradação da autoridade do Estado".

“O que tem acontecido com o ministro da Administração Interna é particularmente preocupante. A incapacidade gritante de lidar com esta situação tem levado a uma degradação permanente, persistente, constante da autoridade do Estado. Há uma suspeita generalizada na população portuguesa de uma corrupção segura nas suas pontas pelos principais partidos ou pelos partidos que dominaram o sistema durante 50 anos”, afirmou André Ventura.

Em declarações aos jornalistas na sede do CHEGA, em Lisboa, Ventura voltou a afirmar que “Luís Neves não tem condições de continuar como ministro da República”.

“Enquanto continuarmos a ignorar isto vamos ver o Estado a degradar-se dia após dia, as instituições a degradarem-se dia após dia, e o elo de comunicações entre o Governo e a oposição impossível de concretizar e impossível de levar a cabo. Esta é apenas uma luta pela decência, pela transparência, e é uma luta das instituições e dos partidos que não têm medo, que sabem que em determinados momentos é preciso exigir respostas”, salientou.

O líder do CHEGA pediu coragem ao primeiro-ministro, defendendo que tem de ter “a capacidade de perceber, a determinados momentos, que é preciso tomar decisões, mesmo que essas decisões tenham custos ou aparentem ter custos sobre o sistema político”.

“Não tirar Luís Neves pode parecer, à partida, para o primeiro-ministro e para o Presidente da República, uma segurança. Podem esperar que aconteça outra coisa qualquer que desvie atenções ou simplesmente que a coisa passe. É um erro pensar que a perda de credibilidade definitiva e a perda de autoridade definitiva se vão repor, não vão, só vão degradar mais o Estado”, sustentou.

Questionado se o ministro deve sair mesmo num período mais crítico de risco de incêndios, Ventura admitiu que esta é “uma época complexa do ponto de vista da Administração Interna”, mas defendeu que o assunto “já devia estar resolvido”.

O líder do CHEGA voltou a pedir “alguma intervenção” da parte do Presidente da República, nomeadamente “exigir responsabilidades e chamar a atenção do Governo para o descrédito que está a acontecer, para a degradação das instituições que está a acontecer”.

André Ventura instou António José Seguro a fazer “uma intervenção pública” em que diga que a “situação deve ser resolvida rapidamente e está insustentável” ou, se o ministro continuar no Governo, que falou com o primeiro-ministro e a “decisão é aceitável por isto, por isto, por isto e por isto”.

“Não podemos passar de ter um Presidente que a toda hora dizia tudo, para um que a nenhuma hora diz nada. Porque senão estamos sempre mal servidos”, considerou.

André Ventura alegou também que “ninguém compreende o que é que está a segurar o ministro da Administração Interna, apesar de todas as suspeitas que recaem sobre ele”.

Sobre as notícias que dão conta de que a Procuradoria Europeia avançou com uma averiguação preventiva aos contratos celebrados entre a Polícia Judiciária e a empresa de construção civil de Barcelos enquanto Luís Neves era diretor nacional, André Ventura considerou “um descrédito das autoridades em Portugal” e acusou o atual ministro de ter mentido sobre “a forma como tinha feito essas adjudicações”.

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