A Segurança Social pode estar longe do cenário folgado que os números oficiais têm apresentado. Uma análise realizada por peritos conclui que o sistema previdencial terá terminado 2025 com um défice de 1,94 mil milhões de euros, em vez do excedente de 6,7 mil milhões indicado pelas contas oficiais.
As conclusões foram apresentadas esta terça-feira por Jorge Bravo, economista que lidera o grupo de especialistas responsável pela análise da sustentabilidade da Segurança Social, revela o Expresso. Segundo o responsável, a imagem de sucessivos excedentes é uma “ilusão” provocada pela forma como receitas e despesas são atualmente contabilizadas.
As diferenças são significativas: entre um excedente oficial de 6,7 mil milhões e o défice calculado pelos especialistas existe um desvio superior a 8,6 mil milhões de euros.
Entre os problemas identificados estão despesas e receitas contabilizadas em sistemas diferentes e, sobretudo, a separação entre as contas da Segurança Social e as da Caixa Geral de Aposentações (CGA).
Desde 2006, os novos funcionários públicos passaram a descontar para a Segurança Social, enquanto a CGA permaneceu responsável pelo pagamento das pensões dos trabalhadores abrangidos pelo antigo regime. Só em 2025, os funcionários públicos terão entregue 3,446 mil milhões de euros à Segurança Social, correspondentes a 11,6% das receitas do sistema previdencial.
Em sentido contrário, a CGA enfrenta atualmente défices anuais próximos dos sete mil milhões de euros. Segundo a análise apresentada, em 2045 deverá mesmo deixar de receber contribuições próprias, embora tenha de continuar a pagar pensões durante várias décadas.
Os especialistas defendem, por isso, que as contas dos dois regimes devem ser analisadas conjuntamente, escreve o Expresso. E é precisamente quando se faz essa soma que o retrato muda: o saldo deixa de ser positivo e passa para um défice estimado de 1,94 mil milhões de euros em 2025.
Jorge Bravo vai mais longe e sustenta que, seguindo esta metodologia, o sistema apresenta saldos negativos pelo menos desde 2014.