TAP agrava prejuízo para 99,2 milhões no primeiro semestre com aumento dos combustíveis

A TAP registou um prejuízo de 99,2 milhões de euros no primeiro semestre, um aumento face às perdas de cerca de 70 milhões de euros no período homólogo, com a subida dos custos com combustível a suspensão das contas.

©D.R.

Apesar do resultado líquido negativo, a empresa aumentou as receitas e transportou um número recorde de passageiros nos primeiros seis meses do ano, segundo comunicado divulgado hoje pela companhia aérea.

As receitas operacionais cresceram 4,3%, para 2.039,8 milhões de euros, enquanto as receitas de bilhetes avançaram 4,4%, para 1.829,2 milhões, “refletindo a robustez da procura nos mercados estratégicos da TAP, com destaque para o desempenho da América do Sul e da Europa”, detalhando a transportadora em comunicado.

Entre janeiro e junho, transportaram 8,2 milhões de passageiros, mais 4,2% do que no período homólogo, e operaram 57,5 ​​mil voos, mais 0,3%.

O tráfego cresceu 5,9%, acima do aumento de 1,7% da capacidade, o que permitiu aumentar a taxa de ocupação de voos (‘load factor’) em 3,4 pontos percentuais, para 85,4%.

A evolução dos resultados foi, no entanto, condicionada pelo forte aumento dos custos com combustível que cresceram 18,7% no conjunto do semestre e aceleraram no segundo trimestre, período em que subiram 52,3%, indica a empresa.

O EBITDA recorrente – resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações – fixou-se em 181,9 milhões de euros, enquanto o EBIT recorrente, que já inclui depreciações e amortizações – foi negativo em 83,7 milhões.

A subida do preço dos combustíveis, devido ao conflito no Médio Oriente, tem sido um dos principais fatores de pressão sobre as contas das companhias aéreas, num setor particularmente exposto às oscilações do preço do ‘jet fuel’, de acordo com o comunicado da companhia aérea.

No caso da TAP, a empresa explica que o impacto da subida dos preços se reflecte de forma imediata nos custos, enquanto as medidas previstas para compensar através das receitas têm um efeito mais gradual, dado que uma parte significativa dos bilhetes já tinha sido vendida antes do aumento dos preços.

Os números do primeiro semestre também ainda não incorporam os meses de verão, tradicionalmente a época alta para o setor da aviação e um período particularmente relevante para a geração de receitas das companhias aéreas.

A empresa recorda que durante o semestre reforçou também a sua posição financeira através de uma emissão obrigacionista de 350 milhões de euros. No final de junho, a companhia dispunha de 1.222,1 milhões de euros em caixa e equivalentes.

O presidente executivo da TAP, Luís Rodrigues, citado no comunicado, salienta: “o desempenho do primeiro semestre demonstra a robustez do modelo de negócio da TAP e a solidez da procura em toda a nossa rede. Graças ao forte envolvimento das nossas equipas e à resiliência da companhia foi possível mitigar o forte impacto do aumento galopante do preço dos combustíveis, um enorme desafio”.

Luís Rodrigues admite que o impacto do aumento dos preços dos combustíveis” fez-se sentir de imediato nos custos, enquanto as medidas de mitigação ao nível da receita tendem a materializar-se de forma mais gradual, uma vez que grande parte da receita do segundo trimestre já foi realizada aquando do aumento dos preços”.

O gestor lembra que o período ficou marcado também pela conclusão do plano de reestruturação, reconhecido pela Comissão Europeia, e adianta que “a TAP inicia agora um novo capítulo”.

“Definimos um plano estratégico para a próxima década, orientado para a criação de valor sustentável, cuja execução é acelerada pelo Programa Horizon, o nosso programa de aceleração digital, inovação e melhoria contínua”, acrescenta.

Os resultados são conhecidos numa altura em que avançou a privatização parcial da TAP, depois de a Air France-KLM e a Lufthansa terem entregue propostas vinculativas para a compra de 44,9% do capital.

A Parpública, gestora de participações do Estado, deverá apresentar ao Governo, a 1 de setembro, o relatório final de análise das propostas, cabendo depois ao Executivo escolher o vencedor.

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