Há uma diferença abissal entre informar e desinformar, entre investigar e inventar, e entre exercer o ofício com rigor e usar a pena como arma de arremesso a pedido de quem paga a conta.
Alguns sensacionalistas parecem ter esquecido essa fronteira, adulterando factos, distorcendo contextos, elevando o rumor e distorcendo a verdade, transformando a reputação alheia em matéria-prima descartável.
Não olham a meios, e apenas têm como objetivo, ofuscar a idoneidade e a integridade — pessoal, profissional ou política — e criar uma nuvem de suspeitas suficientemente densa, para que a vítima passe a vida a tentar sacudir as pulgas do sensacionalista, enquanto o autor se rebola no pó da própria frustração e do marketing negativo.
Na vida pública e privada, nem tudo vale. A política, o mundo empresarial e as relações humanas não são um pântano onde se “chafurda” impunemente. Quem usa a palavra para vilipendiar terceiros, muitas vezes por conta de interesses ocultos, não está a fazer periodismo, está a prestar um serviço sem ética. E a prestação dum serviço sem rigor e imparcialidade, quando se torna prática, corrói a confiança pública e transforma o debate em feira de acusações sem prova.
À Justiça o que é da Justiça, e aos incompetentes o que é dos incompetentes. Quem se esconde atrás de títulos sensacionalistas e de “fontes anónimas” que nunca se materializam, deveria pelo menos, assumir as consequências da sua leviandade. O espaço público não é um território sem lei, onde se pode destruir carreiras e famílias com a ligeireza de quem escreve um post e segue em frente.
Há quem confunda liberdade de expressão com licença para difamar. Há quem confunda “interesse público” com interesse de quem encomenda a peça. E há quem, incapaz de vencer no terreno das ideias e dos factos, prefira o atalho da calúnia e difamação. Esses não merecem o nome de “gazetistas”. Merecem, quando muito, o lugar que ocupam no pântano, a chafurdar, enquanto a sociedade, se tiver bom senso, continua a distinguir quem informa de quem apenas suja.
Nem todos conseguem sacudir as pulgas sem se rebolar no pó. Mas a dignidade e a integridade, essas, ainda não estão à venda.