Eutanásia: Passos Coelho dá razão a André Ventura

O ex-líder do PSD Pedro Passos Coelho apelou aos partidos contra a despenalização da eutanásia que se comprometam de forma transparente a reverter a lei no futuro, caso venham a ter maioria no parlamento.

Num artigo no jornal ‘on-line’ Observador, publicado na quinta-feira, véspera da votação da lei hoje, na Assembleia da República, o ex-primeiro-ministro social-democrata (2011-2015) afirma ainda não compreender que um partido – sem se referir diretamente ao PSD – não tome uma posição de fundo sobre o tema.

“Mais do que esperar por uma decisão do Tribunal Constitucional”, se o Presidente da República suscitar a questão, Passos Coelho quer que os partidos que “estão contra esta ‘revolução’ de organização da eutanásia se comprometam transparentemente em lutar pela sua revogação” caso venham a lograr conquistar uma maioria de deputados no futuro.

“Era bom que se soubesse que haverá quem não se conforma nem desiste de, no futuro próximo, pôr em cima da mesa a reversão da decisão que o parlamento se prepara para tomar, como numa democracia madura”, escreve Passos Coelho, que é contra a despenalização da morte assistida e o diploma que será hoje votado por ser “radical”, lê-se no texto.

Sem se referir diretamente ao PSD, o antigo presidente social-democrata não contesta a decisão do partido de dar liberdade de voto nesta matéria aos deputados por se tratar de “uma questão de consciência individual”.

No entanto, acrescenta, “uma coisa é aceitar a objeção de consciência neste tipo de decisão, outra é afirmar que não se tem uma conceção destas matérias enquanto partido e deixar que sejam os deputados por si mesmos a decidir o que a sua consciência indicar”.

O texto sobre a despenalização da morte medicamente assistida é hoje apreciado em votação final global no parlamento, um tema que atravessou três legislaturas e já contou com dois vetos presidenciais.

A iniciativa que vai a plenário na Assembleia da República tem por base projetos de lei do PS, Iniciativa Liberal, BE e PAN, e foi aprovada na especialidade na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias esta quarta-feira, depois de três adiamentos.

Chega e PCP posicionam-se contra a matéria, e Iniciativa Liberal, BE, PAN e Livre a favor. O PSD já anunciou que dará liberdade de voto aos seus deputados – nesta que é a primeira vez em que a matéria irá a votação sob a presidência do partido de Luís Montenegro e do grupo parlamentar de Joaquim Miranda Sarmento.

Na anterior legislatura, a despenalização em certas condições da morte medicamente assistida, alterando o Código Penal, reuniu maioria alargada no parlamento, mas foi alvo de dois vetos do Presidente da República: uma primeira vez após o chumbo do Tribunal Constitucional, na sequência de um pedido de fiscalização de Marcelo Rebelo de Sousa. Numa segunda vez, o decreto foi de novo rejeitado pelo Presidente depois de um veto político.

Últimas de Política Nacional

A transparência chegou depois do confronto? Só após ser questionado sobre omissões na sua declaração de rendimentos é que António José Seguro, candidato presidencial, revelou o património das empresas de que é sócio-gerente.
Explorações agrícolas e pecuárias devastadas, animais em risco e produtores sem água, luz ou rações: após a passagem da tempestade Kristin, o CHEGA acusa o Governo de silêncio e avança com um requerimento a exigir medidas urgentes para travar uma crise no terreno que continua a agravar-se.
O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, exigiu hoje ao primeiro-ministro (PM) que se retrate depois de ter “dado a entender” que as mortes devido ao mau tempo foram responsabilidade dessas pessoas.
O candidato presidencial André Ventura acusou hoje o adversário de estar “refém do sistema de interesses” e de não ter capacidade de decisão, depois de António José Seguro o ter acusado de ser "um risco para a democracia”.
Henrique Chaves, militante n.º 2 do PSD, anuncia voto em André Ventura e deixa uma crítica devastadora à direita tradicional, que acusa de viver presa ao passado e sem conteúdo político.
O candidato presidencial André Ventura, apoiado pelo CHEGA, indicou hoje que não está preocupado com eventuais efeitos do mau tempo na votação para as eleições do próximo domingo, e disse estar focado nas necessidades das populações.
André Ventura continua a subir, consolida terreno e já alcança 32,2% das intenções de voto quando são considerados os indecisos, segundo a sondagem diária da CNN Portugal.
O candidato presidencial André Ventura não respondeu às críticas do presidente da Câmara de Leiria por ter iniciativas de campanha nesta região afetada pelo mau tempo e considerou tratar-se de "picardias políticas".
O candidato presidencial André Ventura defendeu hoje uma “profunda auditoria” à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), acusando o Governo de “desleixo” na resposta à depressão Kristin.
O parlamento decidiu por unanimidade hoje suspender os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) durante a próxima semana, devido à segunda volta das eleições presidenciais.