Milhares de emigrantes podem ficar sem votar nas presidenciais

Sem voto postal e com queixas de boletins que não chegam, um em cada seis eleitores pode ficar fora das presidenciais. A Folha Nacional sabe que cidadãos portugueses no estrangeiro estão a alertar para falhas no processo.

© D.R.

Os cadernos eleitorais para as eleições presidenciais encerraram a 3 de janeiro com 11.039.672 eleitores inscritos, mais cerca de 190 mil do que nas legislativas de maio, revela o Correio da Manhã (CM). O aumento resulta quase exclusivamente da diáspora, cujo número de eleitores residentes no estrangeiro subiu para 1.777.019, um acréscimo de 192.297 eleitores.

No entanto, esta eleição fica marcada por um problema sério na participação dos portugueses no exterior. A Folha Nacional sabe que um candidato presidencial tem recebido inúmeras mensagens de eleitores residentes em França e na Suíça que garantem não ter recebido qualquer boletim de voto, apesar de estarem recenseados e de já terem tentado esclarecer a situação junto das autoridades consulares.

A situação ganha especial gravidade num contexto em que, ao contrário de eleições anteriores, os emigrantes deixaram de poder votar por correspondência. Para exercerem o direito de voto, são agora obrigados a deslocar-se fisicamente a um posto consular — em muitos casos a centenas de quilómetros de distância —, o que poderá afastar milhares de eleitores das urnas, conta o CM. Esta alteração afeta cerca de 16% do eleitorado, ou seja, um em cada seis eleitores.

O peso da diáspora é significativo: cidades como Paris, Londres, Genebra, Lyon, São Paulo ou Macau concentram mais eleitores portugueses do que Algueirão-Mem Martins, a maior freguesia de Portugal Continental. Ainda assim, os relatos de falhas no envio dos boletins de voto levantam dúvidas sobre a efetiva garantia do direito de participação democrática dos portugueses no estrangeiro.

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