Ex-autarca socialista do Cartaxo condenado por chamar “neonazis” aos dirigentes do CHEGA

O antigo presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, o socialista Pedro Magalhães Ribeiro, foi condenado, na terça-feira, pelo Tribunal do Cartaxo, ao pagamento de uma pena de três mil euros por se ter referido aos dirigentes e militantes do Partido CHEGA como “neonazis”.

Na origem do processo está uma expressão que Pedro Magalhães Ribeiro usou durante uma reunião pública realizada a 9 de setembro de 2020.

O agora ex-autarca disse, referindo-se a questões relacionadas com o combate à pandemia, que todos partidos concordavam com as medidas em apreço “tirando os neonazis do CHEGA”.

Ora, a expressão utilizada gerou controvérsia e levou o Partido de André Ventura a apresentar uma queixa-crime contra Pedro Magalhães Ribeiro.

Na quarta-feira, a juíza do Tribunal do Cartaxo considerou como facto provado que o ex-autarca teve a “intenção deliberada” de insultar o CHEGA com a expressão proferida para se referir ao partido e, por isso, condenou-o pelo crime de ofensa a pessoa coletiva, pessoa ou organismo.

Na leitura da sentença, a juíza referiu que o arguido, ao usar a expressão acima citada, fê-lo “sem qualquer propósito ou justificação”, pois na reunião não estava presente nenhum membro do partido.

A juíza garantiu ainda que o CHEGA não é nazi ou neonazi, como referido por Pedro Magalhães Ribeiro, pois é reconhecido pelo Tribunal Constitucional como partido político, lembrando que a Constituição da República Portuguesa não permite a formação de partidos que tenham ideologias de extrema-direita, totalitárias ou fascistas.

Por esta razão, a magistrada considerou as palavras do ex-autarca socialista como sendo “falsas e ofensivas” do bom nome do partido, dos seus dirigentes e militantes.

Na leitura da sentença, a juíza lembrou ainda a experiência política do arguido, considerando, por isso, não ter havido qualquer “falha na comunicação” ao ter escolhido proferir tais palavras consideradas ofensivas.

Assim, Pedro Magalhães Ribeiro terá de pagar uma multa de 150 dias à taxa diária de 20 euros – o que se traduz em 3 mil euros – e a pagar uma indemnização de 1.200 euros ao Partido CHEGA, ficando ainda sujeito a Termo de Identidade e Residência até à extinção da pena.

De referir que o valor da indemnização será inteiramente doado a uma instituição de solidariedade social que está ainda por definir.

Últimas de Política Nacional

Socialistas e sociais-democratas preparam alterações à legislação do Tribunal de Contas que poderão beneficiar Luís Neves. A possibilidade de uma amnistia através de uma mudança legislativa levanta questões sobre o alcance da iniciativa e as suas consequências.
Comissão Parlamentar da Transparência considera grave a conduta de Ventura após a divulgação de um vídeo em que o líder do CHEGA percorreu corredores e espaços de outros grupos parlamentares, questionando a ausência de deputados numa sexta-feira.
André Ventura garantiu que a comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves na Polícia Judiciária vai avançar sem interrupções, mesmo durante a discussão do Orçamento do Estado. À saída da tomada de posse da comissão, o presidente do CHEGA denunciou tentativas de travar os trabalhos e assegurou que a investigação continuará mesmo que Luís Neves abandone o Governo.
PSD e PS aprovaram, na especialidade, alterações ao regime de fiscalização do Tribunal de Contas que incluem o afastamento do visto prévio em determinados procedimentos. André Ventura acusa os dois partidos de enfraquecerem o controlo da despesa pública e classifica a decisão como uma “via verde para a corrupção”.
André Ventura questionou esta terça-feira a permanência de Luís Neves à frente do Ministério da Administração Interna, na sequência das acusações feitas pelo antigo secretário-geral Ricardo Carrilho. O presidente do CHEGA falou em suspeitas de pressões para a prática de ilegalidades, questionou a gestão de 26 milhões de euros destinados ao SIRESP e prometeu impedir que a comissão parlamentar de inquérito seja bloqueada.
O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”
André Ventura acusou esta sexta-feira Luís Montenegro de transformar a cobrança de impostos numa prioridade do Governo, enquanto as famílias enfrentam despesas cada vez mais difíceis de suportar. No Parlamento, o presidente do CHEGA denunciou uma receita fiscal recorde, criticou a manutenção do IVA dos combustíveis e das portagens e acusou o primeiro-ministro de se "rir da pobreza dos portugueses".
André Ventura acusou esta quinta-feira PS e PSD de bloquearem a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. No debate de urgência na Assembleia da República, o presidente do CHEGA apontou diretamente a Aguiar-Branco e denunciou aquilo que considera ser uma tentativa de proteger o atual ministro da Administração Interna do escrutínio parlamentar.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves toma posse no dia 14, mas o entendimento parlamentar que limita a duas as CPI em funcionamento pode travar o arranque dos trabalhos. Ventura contesta uma regra que não está "nem na lei nem na Constituição".