Risco de pobreza afeta 1,7 milhões de pessoas em Portugal

Cerca de 1,7 milhões de pessoas continuam a viver em Portugal abaixo do limiar da pobreza, das quais cerca de 300 mil são crianças, apesar de o risco de pobreza ter descido, em 2024, para o valor mais baixo dos últimos 20 anos.

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Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que 15,4% das pessoas em Portugal estavam em risco de pobreza em 2024, menos 1,2 pontos percentuais do que em 2023, sendo que a taxa de risco de pobreza correspondia, em 2024, à “proporção de habitantes com rendimentos monetários anuais líquidos por adulto equivalente inferiores a 8679 euros (723 euros por mês)”.

Segundo o INE, esta diminuição da pobreza verificou-se em todos os grupos etários, mas de forma mais acentuada entre os mais idosos.

A Fundação Francisco Manuel dos Santos, no entanto, alerta esta segunda-feira, numa atualização ao estudo sobre desigualdades e pobreza em Portugal, para 1,7 milhões de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza, ainda que as estatísticas mais recentes revelem que em 2024 cerca de 100 mil conseguiram deixar de ser pobres.

De acordo com o estudo, nos últimos 30 anos, a taxa de pobreza baixou 7,6 pontos percentuais (p.p.) e o número de pessoas pobres diminuiu cerca de 29%, mas “Portugal continua a ser um dos países da União Europeia com elevada incidência de pobreza”.

Destaca, por outro lado, que as crianças e os jovens foram o grupo etário que registou a redução mais ligeira da taxa de pobreza, por contraponto à população idosa, na qual houve “uma redução acentuada da taxa de pobreza”, o que “contribuiu de forma decisiva para a descida da taxa global”.

O estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos aponta que não há informação detalhada sobre o perfil da pobreza infantil em 2024, mas, tendo por base os dados de 2023, refere que a incidência da pobreza é mais elevada entre adolescentes dos 12 aos 17 anos (19,2%), grupo que representa cerca de 40% das crianças em situação de pobreza.

A investigação salienta que cerca de 25% das crianças em situação de pobreza vive em famílias monoparentais, sobretudo mães solteiras, enquanto mais de 20% vivem em famílias numerosas. Cerca de 75% vivem em agregados familiares cuja principal fonte de rendimento é o trabalho.

“A pobreza infantil concentra-se sobretudo nas grandes áreas metropolitanas, com 54% das crianças em situação de pobreza a residirem na Grande Lisboa e na região Norte; a taxa de pobreza supera os 38% entre crianças com pais de nacionalidade estrangeira”, lê-se no estudo.

Por outro lado, é nas famílias com crianças que se regista “um ligeiro aumento da incidência da pobreza, de 16,4% para 16,6%”, nomeadamente entre as famílias monoparentais, entre as quais a pobreza ultrapassa os 35%.

“Em sentido inverso, as famílias sem crianças registaram uma diminuição da taxa de pobreza de 2,3 p.p., fortemente influenciada pela redução da pobreza entre famílias unipessoais, em particular as que são constituídas por um único idoso”, refere o estudo.

Destaca que, apesar de os indicadores de privação material e social terem melhorado, “mais de 29% dos inquiridos continuam sem capacidade para assegurar o pagamento imediato de uma despesa inesperada” e salienta que se não houvesse transferências sociais, a taxa de pobreza seria superior a 40%.

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